Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 06/06/2020
“Bola na trave não altera o placar, bola na área sem ninguém pra cabecear, bola na rede pra fazer um gol quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” a música, do grupo Skank, descreve a emoção de um torcedor ao assistir uma partida. Por outro lado, esse sentimento de felicidade e orgulho em diversos jogos têm sido substituído por arrastão, empurra-empurra e vandalismo. Nesse sentido, é necessário analisar como o desrespeito de muitos torcedores, diante de seus adversário, e a impunidade, comprometem a segurança das partidas realizadas no Brasil.
Em primeiro lugar, constata-se como o futebol pode ser perigoso se o individuo não for instruído adequadamente. Isso decorre da cultura patriarcal e machista , na qual o incentivo à competição busca sempre a vitória e não aceita a derrota, gerando um sentimentos exagerados, além do estímulo as demonstrações de superioridade. Dessa forma, diante de confrontos esportivos, muitos homens se apropriam da violência para defender seu timo do coração. Segundo dados do jornal O Globo, de janeiro à julho de 2017, nove pessoas foram mortas nos campos. Logo, fica evidente que a cultura machista e o fanatismo corrompe o principal valor do futebol, que é o companheirismo.
Em segunda análise, a falta de legislação específica faz com que os diversos crimes envolvendo torcedores não sejam punidos de modo adequado. Sob essa perspectiva, a banalização do mal, defendida pela filósofa Hanna Arendit, aponta para uma sociedade anestesiada pela violência e sem capacidade de se chocar por ela. Em consequência disso, esse conceito evidência a negligência do sistema judiciário nacional perante tais crimes, uma vez que por serem tão recorrentes, esses atos se tornaram banais. Com efeito, diversas agressões físicas e atos de racismo, como o do jogador Aranha, no estádio do Grêmio, permaneceram impunes.
É notório, portanto, que questões culturais e punição insuficientes agravam a crueldade no esporte. Por isso, é necessário que os professores de educação física durante as aulas de futebol orientem seus alunos sobre os comportamentos diante de seus inimigos, a utilização de filmes como Hooliganse e um posterior debate pode desconstruir comportamentos machistas enraizados e também a formação de uma nova relação com o esporte. Além disso, o Ministério do Esporte e da Justiça deve cadastrar todos os presentes nos estádios e com o auxílio das redes de televisão identificar os envolvidos em brigas e confusões para que, então, sejam identificados e punidos por seus atos. Com essas medidas, será possível restaurar a paz nos estádios e como canta o grupo Skank.