Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 24/07/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone Beauvoir pode servir de metáfora à violência nos estádios, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados para resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da origem histórica da selvageria no esporte, quanto da impunidade para tais bestialidades.

A princípio, é necessário pontuar que, desde a Antiguidade, os atos de agressividade eram vinculados às manifestações de imposição e poder. Diante desse cenário, os jogos entre os gladiadores os quais lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam  ao público a afeição à brutalidade e a justificativa baseada nos valores culturais. No entanto, após séculos de avanço e proteção aos direitos humanos, alguns indivíduos ainda refletem esses traços na competição esportiva, como fazem muitos torcedores nos estádios de futebol.

Ademais, a pouca eficácia ou inexistência de punições dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito àqueles que vão apenas para apreciar as partidas e, até mesmo, inverte a visão do esporte como ferramenta de inclusão social, defendida pelos próprios clubes. Exemplo disso, é que o Brasil lidera entre os países que contêm mais mortes em estádios de futebol, informação da Revista Veja, o que comprova que a segurança nesses lugares é ineficaz, visto que, muitas vezes os agressores não são identificados ou recebem leves advertências, enquanto, para as vítimas as quais sofrem de violência física ou moral, os danos podem ser irreversíveis.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação, por meio de psicólogos e professores de educação física pagos com verbas governamentais, realize palestras com a convocação de alunos e pais. Essas devem abordar cidadania sobre a importância da competitividade saudável no esporte, a fim de que haja maior aceitação dos resultados e o esporte possa exercer sua função de inclusão social. Também, é de suma importância que o Ministério da Justiça - órgão responsável pela execução de leis - passe a castigar devidamente os agressores e exponha na mídia atos de violentos em práticas esportivas sendo devidamente julgados e penalizados, ratificando a existência de tais bestialidades e suas consequências, tanto para a vítima quanto para o agressor, com a finalidade de se findar a crueldade, a qual deveria ser inexistente, no esporte. Somente assim, deixaremos a Antiguidade para trás, combateremos a impunidade e finalizaremos esse escândalo.