Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 29/07/2020

Durante o período do Império Romano, a chamada “Política do pão e circo” consistiu na alienação popular, por meio da presença de jogos extremamente violentos nos estádios das cidades, a fim de que o povo esquecesse das péssimas questões humanitárias que império se encontrava. Similarmente, no contexto contemporâneo brasileiro, nota-se que a presença da violência no ambiente dos estádios esportivos persiste, desta vez, no entanto, entre os próprios torcedores. Dessa forma, observa-se que o crescimento dessa problemática ocorreu não apenas pelo interesse econômico de parcela da mídia, mas também pela irresponsabilidade estatal no que concerne ao combate desse mal.

Antes de tudo, é importante destacar que parte significativa dos meios de comunicação contribuem para que o problema perpetue na sociedade. A esse respeito, o sociólogo Karl Marx defendeu que o capitalismo é um sistema econômico que coloca os interesses financeiros acima das questões sociais. Além disso, fica evidente que, na modernidade, houve a transformação do esporte a condição de mercadoria. Por conseguinte, a idealização desse comércio por parte da mídia, com o intuito de atingir um maior público consumidor, tornou-se natural. Portanto, vê-se que parcela maciva da imprensa não oferece o devido cuidado no tratamento do combate à violência crescente nos estádios, haja a vista que isso pode ameaçar seus interesses mercadológicos.

Outrossim, é imperativo salientar a função do Estado no que tange à resolução desse problema. Acerca dessa premissa, Thomas Hobbes defendeu que os conflitos constantes representavam o estado de natureza humano. Nesse sentido, o filósofo acreditava que a função do Estado estaria na minimização da  violência entre os homens e na garantia da segurança coletiva. Ademais, de acordo com dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mais de cem pessoas morreram em virtude do aumento do ódio nos estádio nos últimos quinze anos. Dessa maneira, torna-se claro o negligenciamento de setores estatais perante a garantia de alguns direitos humanos básicos ao não tratar o combate ao crescimento da violência nos estádios de forma eficiente.

Em suma, é evidente a necessidade de combater a tal problemática do Brasil moderno. Cabe, então, ao Poder Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, destinar recursos financeiros, para aumentar a quantidade de seguranças nos estádios, bem como promover medidas que assegurem a proteção do torcedor. Entre tais medidas, pode-se adotar a obrigatoriedade da política da torcida única, a qual consiste ma separação das torcidas rivais em diferentes locais do campo. Com isso, espera-se promover um Estado mais seguro ao público das partidas e mais próximo daquele defendido por Hobbes, assim como afastar-se da barbárie encontrada nos estádios da antiga Roma.