Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 30/09/2020

“Posso morrer pelo meu time, se ele perder, imenso crime”. Essa frase seria apenas um verso da canção da banda mineira Skank, não fosse a realidade opressiva nos estádios de futebol. Posto que o Brasil é mundialmente associado a esse esporte, a violência nas arenas coloca em risco uma identidade cultural e afasta os cidadãos desses eventos, além de demonstrar incompetência do Estado no combater ao problema.

Primeiramente, o filósofo Habermas diz que incluir não é só trazer para perto, mas respeitar e desenvolver junto. Isso se aplica ao objetivo teórico dos estádios: incentivar o convívio entre as torcidas em prol da competitividade pacífica. Ocorre que a brutalidade nos campeonatos mostra como esse propósito está longe de ser alcançado, pois ao invés de promover coesão, gera medo - segundo pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para 68% dos torcedores a violência é um motivo para não ir aos estádios - e intolerância, já que o simples ato de usar a camisa de um time torna-se razão para confronto. Assim, gera-se um empecilho que se estende para além dos campos de futebol.              Em segundo lugar, essa situação reflete a ausência de efetividade governamental em resolver a questão. Isso é visto tanto na recorrência de brigas e mortes, quanto nas propostas para mitigar o problema. Uma delas é a torcida única em alguns estados, a qual é uma solução anunciadamente falha, uma vez que não só revela a total falta de ciência do Estado em formas de acabar com a hostilidade entre torcedores, como está em completa oposição à real função da competição esportiva. Diante disso, apesar de existirem propostas e normas, não há empenho dos governantes na busca de uma solução praticável, que não mitigue o espírito esportivo, mas resolva a questão da opressão nos estádios.

Portanto, é necessário que o Ministério da Cidadania crie uma campanha que vise conscientizar a sociedade por meio de depoimentos de indivíduos que sofreram as consequências da violência nos estádios, além de curtas-metragens sobre respeito entre torcedores de times adversários. Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública precisa se unir a estudiosos - como o sociólogo Maurício Murad, pesquisador sobre a violência no futebol em um projeto que envolva estudos estatísticos sobre formas de mitigar o problema, como forma de entender de fato como funciona a violência nos estádios. Assim, “que coisa linda é uma partida de futebol” será o verso daquela música que representará o esporte no Brasil.