Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 19/08/2020

Em 1985, o comportamento dos hooligans, como eram conhecidos os vândalos de estádios de futebol na Inglaterra, chegou ao ápice da violência com a morte de 30 torcedores em um jogo clássico na Europa. Já no contexto brasileiro, o cenário não é diferente. A violência nos estádios de futebol do país tem crescido exponencialmente e as medidas tomadas pelo governo não têm se mostrado eficientes. Por isso, cabe analisar quais medidas são realmente eficazes para tornar os estádios de futebol ambientes seguros para os torcedores.

Em primeiro lugar, é importante destacar a necessidade da desconstrução da cultura vigente que tem como normal o machismo que permeia o futebol. Nesse sentido, comportamentos violentos em ambientes de torcidas rivais são tolerados pela sociedade tendo em vista que briga, intolerância e violência são tidas como características intrínsecas ao sexo masculino que, de acordo com o entendimento público é o consumidor majoritário do futebol brasileiro. Tal anomia social caracteriza o que a socióloga Hannah Arendt classificou como a banalidade do mal, ou seja, uma normalização, por meio de processos de socialização, de comportamentos essencialmente deturpados que tem como principal consequência a continuidade de ação criminosa dos agressores

Nessa conjuntura, o sociólogo Maurício Murad afirma, em seu livro A violência no futebol, que apenas 3% dos crimes cometidos entre 2013 e 2014 foram efetivamente punidos, traçando, assim, uma relação direta entre a impunidade e o aumento da violência. Nesse sentifo, é evidente que a mudança de paradigma sobre a normalidade da violência entre torcidas de futebol chegue também ao Poder Judiciário. Por conseguinte, este pode dar uma maior prioridade às investigações e aos processo relacionados ao contexto em questão, reduzindo a impunidade e fazendo com que as cenas de violência nas arquibancadas dos estádios de futebol sejam cada vez mais distante da realidade brasileira.

Infere-se, por conseguinte, que é imperiosa a mudança de pensamento em função do combate à violência nos estádios do Brasil. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação implemente componentes curriculares nas disciplinas de humanas e na própria educação física, que instruam sobre alteridade, respeito e a importância da participação e não somente da vitória em competições. Além disso, o Ministérios dos Esportes e da Justiça devem criar meios de identificação dos torcedores, banimento dos agressores e punição relativa ao crime cometido com o fito de reduzir a impunidade e assim, construir uma cultura de respeito e tolerância no futebol brasileiro.