Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 02/09/2020

O quadro “Relatividade”, de Escher, mostra o mesmo ambiente sob ângulos visuais diferentes, transmitindo a impressão de ser outro lugar. De forma análoga à obra, o futebol também é visto por perspectivas distintas no Brasil, sendo, por um lado, um meio de lazer e, por outro, uma fonte intensa de violência. Em vista disso, a prática de violência nos estádios — fruto de um fanatismo exacerbado impulsionado pela mídia brasileira e de um sistema de segurança falho — impede que esse esporte desempenhe seu papel de entretenimento da população.

É válido retratar, em primeira análise, de que forma a mídia contribui com a hostilidade dentro dos estádios de futebol. Segundo o filósofo Michel Foucault, todo discurso é uma forma de impor a verdade aos que ouvem. A partir dessa análise, o discurso midiático acerca dos times de futebol cria uma rivalidade exagerada entre os torcedores, os quais expressam-se de forma violenta nos estádios. Desse modo, o excesso de rivalidade — criado, principalmente, pela mídia — gera uma violência desnecessária e constante, visto que para que um time ganhe, outro sempre irá perder.

Cabe considerar, em segunda análise, a segurança insuficiente nesse ambiente. De fato, os estádios de futebol são acessíveis à quaisquer pessoas que adquirirem ingressos e, assim, indivíduos mal intencionados fazem uso inadequado desses espaços, a fim de provocar brigas e o acirramento das rixas entre os times presentes. Dessa forma, caberia ao Estado fornecer medidas que garantissem o bem-estar coletivo — de acordo com o Contrato Social, proposto pelo contratualista John Locke —, uma vez que o atual sistema de segurança tem se mostrado ineficiente — fato que é comprovado com o aumento de episódios violentos e de morte nesses lugares.

Mediante o exposto, pode-se concluir que os casos de violência nos estádios de futebol devem ser contidos. Logo, é dever do Ministério da Justiça e Segurança Pública aumentar a fiscalização nos espaços mencionados, por meio da instrução de membros da torcida organizada para que encaminhem os delitos ocorridos para os guardas, além de viabilizar um maior treinamento destes, a fim de que sejam reprimidas, de forma eficiente, todas as expressões violentas. Além disso, é necessário que a mídia passe a estimular sentimentos saudáveis nos torcedores, abandonando o culto à rivalidade. Espera-se que, a partir dessas medidas, o futebol se distancie da realidade polissêmica do quadro de Escher, podendo ser visto apenas como fonte de entretenimento.