Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 31/08/2020
Na Grécia Antiga, as Olimpíadas eram competições esportivas que faziam ocorrer uma trégua nos conflitos entre as pólis. Análogo a isso, no Brasil, o esporte traz convicções de respeito, cooperação e paz, contudo o que se observa, na prática, especialmente nos estádios de futebol, são atos de violência. Essas ações são instigadas culturalmente e, sobretudo, pela impunidade sobre tais atos.
A princípio, constata-se como o futebol pode ser perigoso, se o indivíduo não for instruído adequadamente. Acerca disso, decorre da cultura patriarcal e machista, na qual o incentivo a competição busca sempre a vitória e não aceita a derrota, gerando sentimentos exagerados, além do fomento a demonstrações de “superioridade”, muitas vezes, através da violência verbal e física. Como se não bastasse, segundo Bauman - vive-se numa época de fragilidades e imediatismo – que corrobora atos inconsequentes, como os praticados por alguns membros de torcidas organizadas, instituições que agravam a ideia de rivalidade.
Não só, como também, a falta de punição faz o indivíduo não temer a realização de atos agressivos. Como mostra Maurício Murad, em 2014 e 2015, somente 3% dos crimes cometidos nos estádios de futebol e arredores foram punidos. Por conseguinte, descumpre-se o Estatuto do Torcedor – lei federal que garante a segurança nos locais de eventos esportivos antes, durante e depois das partidas. Como exemplo desses delitos, em Recife, no estádio do Arruda, um vaso sanitário foi arremessado e matou um torcedor.
É notório, portanto, que questões culturais e punições insuficientes agravam a violência no futebol. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação efetive componentes curriculares desde o ensino fundamental II, nas disciplinas de humanas e na própria educação física, que pontifique sobre alteridade, respeito e a importância da participação e não somente da vitória em competições. Para que possam usufruir dos eventos esportivos de forma tranquila e segura, sabendo que haverá respeito entre os torcedores de times distintos, agindo de acordo com o principal intuito das competições criada na Grécia, a trégua nos conflitos entre duas ideais. Evitando assim, a violência instigada pela agressividade a respeito da rivalidade entre os torcedores.