Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 01/09/2020

Na música “País do futebol”, sob a voz do cantor MC Gui, o eu-lírico expressa sua paixão pelo futebol e a felicidade que sente ao praticar esse esporte. Paralelamente, no contexto do Brasil hodierno, as partidas de futebol dentro dos estádios brasileiros de futebol representam uma ameaça a segurança pública, visto os atos de violências que ocorrem em suas territorialidades. Tal conjuntura configura como reflexo da cultura de violência presente no âmbito futebolístico e do deficitário sistema de fiscalização. Dito isso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática.

A princípio, constata-se a cultura de violência perpetuada entre os jogadores, como principal agente causador dos conflitos entre torcidas rivais. Sob esse viés, o fanatismo esportivo leva esses indivíduos a agirem de maneira passional – guindo-se pela paixão, destes, pelo time – fazendo com que cometam delitos, como agressão física e verbal. Dessa forma, consoante ao filósofo austríaco Sigmund Freud, essas atitudes destrutivas são a externalização de instintos primitivos, a “Pulsão de Morte”, regidos pelo inconsciente, sendo assim dotados de irracionalidade. Além do mais, essas infrações, transgridem os direitos básicos da integridade humana, como o direito à liberdade de expressão, defendidos na teoria contratualista de John Locke. Visto que os torcedores receosos de serem vítimas das barbáries cometidas pelas torcidas organizadas, deixam de ir aos estádios, sendo assim, estes, são privados do direito defendido pelo filósofo John Locke.

Outrossim, é lícito postular a ineficácia do sistema de fiscalização nos estádios, aliado a dinâmica de mercado capitalista. Seguindo esse pressuposto, a venda de ingressos abertamente, mediante a logística de mercado capitalista – que visa à maximização dos lucros –, permite que quaisquer indivíduos adentrem os estádios brasileiros, sem que se tenha ciência de seus históricos. Nessa linha de pensamento, esse cenário propicia a impunidade, visto que, caso seja responsável por incitar o conflito, sua devida identificação e penalização serão dificultadas e, dessa forma, poderá retornar aos estádios e perdurar esse ciclo de atos violentos. Dessa forma, é evidente a necessidades de medidas governamentais para conter o problema.

Destarte, é função do Estado brasileiro a criação de medidas preventivas e de combates a essa temática. Desse modo, é fulcral ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, desenvolver um sistema padronizado de fiscalização e identificação dos torcedores nas entradas dos estádios, por meio do capital arrecado dos ingressos vendidos, a fim de mitigar os atos violentos entre as torcidas rivais. Dessa maneira, concretizar-se-á a felicidade de praticar futebol do eu-lírico da música “País do Futebol”.