Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 07/09/2020

O grupo de torcedores chamado Hooligans foi responsável pelas primeiras atitudes violentas em estádios de futebol na Inglaterra, em 1985. Apesar de ter se iniciado na Europa, essas práticas se espalharam pelo mundo, com números preocupantes. No Brasil, segundo dados da página do Senado Federal, ocorreram cerca de 160 eventos deste tipo durante os jogos de futebol, só no ano de 2019, a qual muitos terminaram com mortos, feridos e vandalismo dentro e fora dos estádios. Isso se deve, principalmente, pelo fato de pessoas intolerantes ou relacionadas com crime passarem a fazer parte de torcidas organizadas, o que faz com que os torcedores tenham receio de ir aos jogos do seu time.

Primeiramente, é importante destacar que o Estatuto de Defesa do Torcedor defende a segurança e a liberdade dos torcedores durante as partidas de futebol. Porém, o que se percebe, na realidade, são torcidas organizadas que agridem verbal e fisicamente torcedores rivais, acima de tudo, por causa de fanatismo e intolerância. Isso acontece porque muitas dessas pessoas não aceitam que seu time perca para o seu adversário e não gostam de parecer inferiores ou piores, mesmo que isso não seja verdade. Outrossim, muitas dessas torcidas passaram a ter grupos criminosos, que incentivam atitudes violentas e não respeitam as leis e a fiscalização policial.

Ademais, com o aumento dos casos de violência nos estádios, muitos torcedores começam a ter medo de ir nesses locais, desvalorizando o que garante o Estatuto de Defesa do Torcedor. De acordo com a Universidade Estadual  do Rio de Janeiro, aproximadamente 68% dos torcedores não assistem as partidas de futebol fora de casa por se preocuparem com possíveis casos de violência. Além disso, não só os torcedores sofrem com essa situação, mas toda a cidade, pois as atitudes de vandalismo destroem ruas  e transportes coletivos, como ônibus e metrô, comprometendo até mesmo os gastos públicos que seriam destinados para outras finalidades sociais, como saúde e educação.

Portanto, é preciso que medidas que visem a diminuição da violência nos estádios e o bem-estar dos torcedores, como defende o Estatuto, sejam tomadas. Para isso, o Ministério do Esporte, juntamente com o Senado Federal, devem elaborar uma lei que exigirá que os jogos de futebol tenham torcida única, pelo menos no período de 5 anos, para evitar conflitos de rivalidade. O Ministério também deve elaborar uma campanha que será transmitida em escolas, universidades e nas principais mídias sociais. Ela trará, por meio de palestras e vídeos educacionais,  informações sobre o assunto, como dados e causas, enfatizará a importância do respeito e da maneira correta de lidar com derrotas esportivas, e divulgará a lei criada. Assim, o futebol voltará a ser como era antes das ações dos Hooligans, um local de lazer e divertimento mesmo nas derrotas.