Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 31/10/2020

Na visão do filósofo Denis Diderot, do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo. Seguindo esse raciocínio, o Brasil, país do futebol, ao longo dos anos transformou-se em um palco de grande violência nos estádios. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a paixão exacerbada de torcedores e a impunidade de agressores são notadas.

É preciso considerar, antes de tudo, que a população brasileira detém grande apreço pelo futebol. Todavia, essa estima torna-se exagerada quando os indivíduos exaltam seus times ao ponto de crescer uma competitividade hostil, que é intensificada por torcidas organizadas. Prova disso é que, segundo o jornal “O Globo”, o país é o que mais mata devido a esse esporte em todo planeta. Tal contexto se relaciona com a Teoria dos Ídolos do filósofo Francis Bacon, na qual as falsas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade. Por essa razão, urge a necessidade da mudança de concepções da sociedade para sanar tal problemática.

É válido ressaltar, ainda, que pessoas mal intencionadas vão às arquibancadas com o sentido de prejudicar o andamento da partida. Desse modo, a falta de punição daqueles que têm comportamentos agressivos induz mais atos como esses. Tal fato é ilustrado pelos dados do ex-Ministério do Esporte, nos quais apenas 3% dos processos de violência no âmbito esportivo acabam em condenação. Essa conjuntura, em consonância com a Teoria Contratualista do filósofo Hobbes, o qual salienta que Estado e homem devem fazer um contrato social para que ambos possam desenvolver a segurança, demonstra a urgência de ações efetivas para minimizarem essa contenda.

Evidencia-se, portanto, que as adversidades vividas nos estádios são consequências da idolatria dos times e da negligencia judicial. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Cidadania, em ação conjunta à mídia, elucidar os cidadãos quanto ao perigo do fanatismo, por meio de informativos transmitidos nos programas televisivos e redes sociais, os quais terão a finalidade de moderar os sentimentos de rivalidade para garantir o bem-estar de todos. Outrossim, o Poder Legislativo e o Judiciário devem tornar eficaz as sentenças de penas esportivas, por intermédio da criação de políticas públicas de segurança para os jogos, a fim de ter os julgamentos como exemplos e evitar, a longo prazo, novas atitudes hostis. Destarte será possível conter tais impasses, na medida em que o legado de Hobbes será alcançado.