Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 25/11/2020
Na década de 80, o Brasil presenciava um dos grandes movimentos político-sociais de seu esporte: a Democracia Corinthiana, que consistiu em votos de todos os funcionários do clube nas decisões. Com isso, o futebol se mostrou um meio pelo qual mudanças na sociedade poderiam ocorrer. No entanto, a violência nos estádios faz com que os princípios pacíficos do clube paulista se subvertam. Logo, deve-se analisar a impunidade decorrente da inércia governamental, bem como a lacuna educacional dos propagadores da violência na manutenção desse cenário, a fim de combatê-lo por políticas públicas.
Primeiramente, a inação do Poder Público no combate à conduta agressiva nos estádios possibilita a persistência do revés. Isso porque, ao pouco atuar na esfera, o Estado funda uma atmosfera de impunidade aos infratores. Acerca disso, o iluminista Rousseau pondera que, na medida em que o Estado se exime de sua função na promoção do bem comum da sociedade, há a infração do contrato social. Com efeito, essa violação se evidencia no fato de que, segundo o site “ebc”, menos que uma a cada 20 manifestações de violência em estádios foram punidas no ano de 2015, o que justifica a falta de temor à lei, que, na maioria das vezes, permanece no papel. Assim, tal ausência do mecanismo governamental anuncia não só o descaso com o conjunto social, bem como delega os direitos à segurança e ao lazer, garantidos constitucionalmente, ao esquecimento.
Além disso, essa conjuntura de anomia ligada ao esporte tem como causa a falha na formação social dos indivíduos, já que uma educação pautada nos valores pacíficos da cidadania evitaria a abrangência do problema. Segundo o sociólogo E. Durkheim a construção do ser social consiste em uma série de normas que balizarão a conduta do indivíduo em conjunto. Nessa visão, depreende-se que a ausência de completo desenvolvimento escolar dificulta uma formação delineada pela compreensão da estrutura social, já que a escola é um dos principais meios de socialização. Por conseguinte, é verificada maior recorrência de violência no esporte por pessoas com escolaridade incompleta.
Portanto, é imprescindível que a violência nos palcos esportivos do Brasil seja mitigada. Para isso, o Poder Público deve, por meio de leis a serem aprovadas no Congresso Nacional, destinar verbas à criação de unidades de segurança especializadas. Essas unidades contarão com profissionais da segurança e tecnologia, que mapearão eventos esportivos e, com base na recorrência de violência e nos números de torcedores, enviarão seguranças para auxiliar a polícia. Ademais, essas unidades podem desenvolver trabalhos com crianças em locais nos quais há baixos índices de escolaridade, com educadores e psicólogos, a fim de subsidiar debates entre os pequenos sobre o esporte. Feito isso, uma sociedade cujos princípios se aproximarão dos da Democracia Corinthiana será alcançada.