Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 16/12/2020
Em setembro de 2015, parte da torcida organizada de Goiás protagonizou uma das cenas mais tristes e violentas do futebol. Com a derrota do tempo, ao término da partida, a paz foi findada pelo vandalismo. Graus e vasos sanitários foram arrancados e, posteriormente, atirados em direção à torcida rival. Deploravelmente, encontramo-nos na mesma década desse caso, e não se pode dizer, tampouco garantir, que eles não ocorrerão mais. Nesse contexto, as manifestações de violência nos estádios é uma problemática atual, e algumas medidas devem ser tratadas urgentemente, pois a persistência desse cenário é inaceitável.
O Brasil é recordista em mortes relacionadas ao futebol, apontam estudos da USP e dados divulgados pelo jornal “Lance”. Os crimes, no entanto, transcendem os estádios e retiram a calmaria até mesmo nos CT’s (Centros de Treinamento) dos jogadores. Prova disso, em outubro deste ano (2020), integrantes da torcida organizada “Máfia Azul”, do Cruzeiro Esporte Clube, ameaçaram jogadores e depredaram com pichações o patrimônio do CT do tempo. Após a abordagem policial, os encarregados alegaram estar exercendo seus “direitos” de cobrar melhores desempenhos dos jogadores em campo.
É nítido salientar que tais manifestações de violência não se justificam, pois a pressão exercida sobre o tempo afeta o psicológico dos jogadores, e como consequência, interfere negativamente em suas atuações num jogo. Além disso, é intolerável a sensação constante de insegurança dentro dos estádios por parte do público presente, haja vista de que todos têm, por lei, o direito à tranquilidade nos locais de eventos esportivos - segundo o art. 13 do Estatuto de Defesa do Torcedor. Infelizmente, mesmo com leis que visam a garantia desse direito, a aplicação na prática não tem sido eficaz, visto que os atos violentos se repetem.
O combate às manifestações de violência dentro, e fora, do campo se faz necessário com prioridade. Portanto, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deve, em colaboração com a Polícia Militar, reforçar a tranquilidade no local com a contratação de mais seguranças particulares. Assim como as torcidas, a guarda contratada também deve ser organizada, e distribuída de forma homogênea em todas as partes do estádio. Para que as medidas de contenção às violações sejam mais eficazes, é preciso que as punições previstas no Código Penal tenham maior rigor em sua aplicabilidade, e isso pode ser pautado por projetos de leis criados por vereadores e deputados. Outrossim, a proibição definitiva de torcidas organizadas é crucial para a inviolabilidade dos direitos do torcedor. Um país onde uma identidade cultural está fortemente ligada ao futebol, é preciso que seu lema principal, “Ordem e Progresso”, está presente também dentro dos estádios.