Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 14/01/2021

As Olimpíadas foram criadas na Grécia Antiga com o sentido agregador, fundamentadas na união dos povos helenos e na valorização da competitividade saudável, capazes até de interromper guerras para que ocorressem, dada a importância. Não obstante a isso, na contemporaneidade brasileira, observa-se um cenário radicalmente oposto, com a problemática violência nos estádios, onde o futebol passa a gerar uma cisão entre os torcedores, diferentemente do sentido unificador do esporte visto na antiguidade grega. Nesse sentido, evidencia-se como precedente da adversidade: a espetacularização esportiva na atualidade, a qual repercute na falta de consciência e fanatismo dos indivíduos.

Sob essa perpectiva, é válido destacar a perda do sentido original do futebol, diante a glamourização da atividade esportiva, e consequente desvio do viés lúdico e agregador para a visão que preza pela velocidade e pela competitividade acima de tudo, incitando rixas e a violência nos estádios. Isso, pois o esporte passa a se tornar um nicho de mercado extremamente lucrativo e, assim, usa de ferramentas sensacionalistas, as quais visam o entretenimento pela deificação de times e jogadores. Então, nota-se a espetacularização do futebol de forma a dialogar com a tese do sociólogo Guy Debord sobre a ´´Sociedade do Espetáculo``, apelo ao visual e às aparências para induzir o consumo, pelo fato da prática esportiva adquirir características de um produto comercial, cuja idolatria e fetichização rompe com os ideais unificadores e promove as rivalidades, vistas na violência de torcidas organizadas.

Por conseguinte, comprova-se o comportamento fanático de alguns torcedores, advindo da lógica promovida pela mercantilização do esporte, com os dados alarmantes divulgados pela URBS/IPEA, os quais além de indicar que o Brasil é ´´campeão´´ de mortes pelo futebol, também apontam o aumento do fenômeno violento. A partir disso, observa-se uma real dificuldade de dissociação das identidades individuais com o coletivo, cuja explicação repousa na teoria da ´´cordialidade brasileira´´, de Sérgio Buarque de Holanda, pautada na sobreposição do particular, no caso as emoções impulsivas, sobre o bem-comum, no caso o bem-estar coletivo e a não agressão. Dessarte, é pertinente ressaltar o crucial papel da espetacularização na promoção inconsciência e alienação dos torcedores, na medida em que o apelo sensacionalista fomenta essa passionalidade incoerente e violenta, postulada pelo historiador.

É imperativo, portanto, adotar-se medidas responsáveis pelo combate da problemática violência nos estádios. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania criar amplas campanhas educativas veiculadas nas mídias sociais por intermédio de vídeos educativos, com a participação de influenciadores, responsáveis pela adesão massiva da população. A partir disso a população será conscientizada sobre a importância da não violência e do papel unificador do esporte, conforme na Antiguidade Clássica.