Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 23/06/2024

Durkheim, sociólogo francês, comparava a sociedade a um corpo biológico que, ordem de manter a coesão, prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, a imperialização de um culto historicamente construído a violência, em contraposto ao fanatismo esportivo, refletiu em expressões agressivas por parte das torcidas. Dessa forma, ampliado por ideais individualistas, destaca-se um complexo dilema incoerente aos valores democráticos destacados pelo esporte.

Sob esse viés, cabe destacar o impacto de episódios antecedentes. Em paralelo, durante o período colonial utilizou-se métodos brutais de dominação dos nativos que expandiram, posteriormente, para um sistema de escravidão que se configurou como um dos momentos mais brutais da história. Mesmo após a Proclamação da República, em 1889, a violência permaneceu como um instrumento do Estado, sendo legalmente combatida apenas com a Constituição de 1988. Por consequência, consolidou-se uma lógica propensa a tendências autoritárias, algo marcante nas manifestações das torcidas em estádios, em que são frequentes episódios de vandalismo e agressões. Logo, evidenciando uma mentalidade incoerente ao princípio de confraternização social esportiva.

Ademais, deve-se considerar o impacto do individualismo. Monteiro Lobato, autor modernista, por intermédio de seu personagem Jeca Tatu, no último conto de “Urupês”, traçou a índole do brasileiro como conformista e cômoda. Essa postura, presente até o momento atual, propicia a inércia frente aos embates sociais e, paralelamente, ao advento da supremacia da competividade. Nesse contexto, o entusiasmo coletivo direcionado ao esporte é reduzido a um contexto de rivalidade, colocando, assim, em risco a integridade das torcidas.

Torna-se evidente, portanto, que as manifestações violentas em estádios apresentam entraves que devem ser revertidos. Para tal, o Ministério Público, órgão responsável pela gestão das políticas de segurança pública, deve criar, em parceria com os clubes esportivos, núcleos de pesquisa com a proposta de mapear a natureza dos conflitos de cada local e propor soluções regionais, como estratégias de segurança, revezamento e logística de transporte.Destarte, visando a resgatar o sentimento de socialização inerente às práticas esportivas.