Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 26/06/2020

De acordo com o filósofo Platão “ O importante não é viver, mas viver bem. ” Nesse contexto, identifica-se na contemporaneidade a persistência de atos violentos contra a população negra no Brasil e no mundo. Diante desse cenário desafiador, é urgente a criação de medidas que auxiliem para superar tanto as causas históricas quanto a ausência dos Estados diante desse problema.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a violência contra a população negra tem um dos seus pilares sustentados pelos séculos de escravidão ao redor do mundo. Isso fica evidente, ao se constatar que desde o séc. XV, a população negra tem sido alvo do genocídio e encarceramento em massa para suprir as necessidades dos seus donos e dos Estados. Consequentemente, no Brasil, pode-se considerar essa perspectiva ainda presente nos dias de hoje ao se constatar que mais de 70% da população carcerária é negra ou já sofreu algum tipo de violência, sendo física ou psicológica. Dessa forma, percebe-se como a situação em questão está diretamente relacionada ao conceito de Biopoder, proposto por Foucault, pois o mesmo afirma que a sociedade é regida por aqueles que tem poder sobre os corpos dos outros.

Outro ponto incontornável quando se discute a violência contra a população negra, está relacionado a ausência dos Estados diante as ações policiais. Tal realidade fica evidente ao se constatar que as ações criadas pelos Estados para controlar o tráfico nas comunidades, acabam colaborando com o extermínio da população residente daquele local, majoritariamente negra, como o caso do garoto João Pedro que foi assassinado pela polícia com um tiro de fuzil. Simultaneamente, verifica-se ainda que a abordagem policial contra jovens negros, nas periferias, é sempre regida por violência e agressões ao passo que as mesmas ações não ocorrem com pessoas brancas ou em bairros de classe média- alta. Assim sendo, nota-se que o discurso do Governador do Estado de São Paulo “A Rota vai atirar para matar”, vem sendo usado como carta branca por muitas corporações para justificar determinadas ações.

Perante essa conjuntura, pode-se inferir, portanto, na urgência de agir no sentindo de acabar com a violência. Cabe aos governos promoverem ações que superem tanto as causas historias quanto a ausência dos Estados diante do caos. E para tornar essa ação possível, somente através da criação de medidas enfatizando os privilégios de poucos em relação a muitos e a devida atenção do Estado diante das necessidades da população negra. Ao minimizar as consequências e combater as raízes dos problemas abordados, essas ações corroborariam com a ideia do Filósofo Heráclito. “Nada é permanente exceto a mudança”.