Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 24/06/2020

A Revolta da Chibata foi um motim naval no Rio da Janeiro, Brasil, ocorrido no final de novembro de  1910. Foi o resultado direto do uso de chibatadas por oficiais navais brancos ao punir marinheiros afro-brasileiros e mulatos. Nesse sentido, percebe-se, hodiernamente, uma violência policial contra a população afrodescendente muito semelhante ao movimento da chibata. Desse modo, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: um forte legado histórico e uma lenta mudança na mentalidade social.

Em primeira análise, há a questão de todo o passado histórico-cultural, que influi decisivamente na consolidação do problema. Conforme a argumentação, errônea, do Darwinismo Social - teoria difundida nos séculos XIX e XX -, existem raças humanas que são predispostas à dominação, ou seja, o branco tem o fardo para trazer a civilização para os negros e, assim, uma falsa legitimação autoritária. Nesse sentido, a violência policial contra os negros no mundo e, principalmente, no Brasil, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história da humanidade, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Outrossim, o processo de socialização - ensinamentos passados de geração a geração - ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do desigual tratamento dos órgãos públicos é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e preconceituoso, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa, como no contexto da Revolta da Chibata, por ter acontecida há pouco tempo depois do fim da escravidão.

Evidencia-se, portanto, pensamentos arcaicos enraizados na sociedade, sobretudo a partir das teorias raciais. Faz-se necessário, pois, que a sociedade exclua esse estigma social acerca dos negros, por meio de palestras não apenas infantojuvenis como também dentro dos ensinamentos policiais nas universidades, com a ajuda de leis específicas a qual intensificam uma maior justiça nos delitos, a fim de que não exista uma diferenciação no tom de pele na hora do julgamento. Assim, os reflexos do Darwinismo Social permanecerão nos livros de história, distantes da realidade mundial.