Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 02/08/2020
O livro “O ódio que você semeia” expõe a experiência de uma adolescente que presenciou o assassinato de seu melhor amigo que, pelo simples fato de ser negro, foi morto por um policial branco durante uma abordagem de trânsito. Infelizmente, a narrativa não destoa da realidade brasileira, na qual a violência policial contra afrodescendentes resulta em muitas mortes, visto que a sociedade é precursora do racismo e o Estado adota a necropolítica contra esse grupo.
Em primeira análise, o Brasil, apesar de possuir um alto número de indivíduos negros em sua população, ainda é um país racista. O tráfico negreiro e a escravidão foram fatores que contribuíram para a institucionalização do preconceito contra pretos, assim, transformando-os em “inimigos” e associando-os à criminalidade. Tal viés é exposto por Elza Soares na música “A carne”, na qual por meio do verso “A carne mais barata do mercado é a carne negra” ela aborda a situação de violência verbal, física e psicológica pela qual esse grupo enfrenta graças à discriminação - desde os esteriótipos criados até os assassinatos que fazem muitas vítimas, como o abordado pela professora Yanilda Gonzáles, a qual afirma que 75% das mortes são de negros.
Em segunda análise, o Estado, por meio de intervenções policiais, invade periferias e utiliza a brutalidade contra cidadãos que ali vivem. Com a modernização das cidades, a população pobre - composta essencialmente por negros que após a abolição da escravidão não conseguiram ascender socialmente - foi expulsa dos centros e obrigada a ocupar os morros, criando, dessa forma, as periferias. Atualmente, essas localidades são alvos da violência vinda de policiais que, a mando do Governo, invadem propriedades e matam, principalmente, negros que ali residem, como foi o caso de João Pedro, adolescente executado em sua própria casa. Esse panorama é explicado por meio do pensador Achille Mbembe, o qual criou a teoria da “Necropolítica”, a qual afirma que o Estado, ao invés de proteger os cidadãos, adota medidas que utilizam do discurso de ódio e do uso da força.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a resolução da problemática. O Ministério da Educação deve, por meio de palestras e da distribuição de material lúdico em escolas, abordar sobre o racismo, incentivando, desse modo, a formação de indivíduos mais conscientes e mais aptos a não votar em políticos que promovam essa violência. Ademais, é papel do Poder Judiciário julgar e punir policiais que cometeram barbáries contra pretos, visto que matar outros cidadãos não é função desses profissionais. Logo, a teoria da necropolítica terá menos impacto na vida da sociedade brasileira.