Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 24/08/2020

O mito da caverna, de Platão, filósofo da Grécia Antiga, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à violência policial contra negros no Brasil e no mundo. Diante dessa perpectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema em razão da impunidade e do individualismo.

À priori, há a questão da impunidade, que influi decisivamente na consolidação do problema. Nesse sentido, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança, em razão do elevado número de casos de violência policial contra pretos, a exemplo de George Floyd, morto asfixiado em uma abordagem, na qual o policial foi libertado após pagar fiança.

Ainda assim, vale destacar a questão do individualismo.  Na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo e filósofo Bauman, defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à violência decorrente do racismo. Essa liquidez que influi sobre a questão do problema funciona como um forte empecilho para sua resolução, uma vez que parcela da população, em sua maioria brancos de classe média alta, compactuam e aprovam  essa forma violenta de abordagem.

Destarte, depreende-se que cabe ao Estado, por meio do Ministério da Justiça, desenvolver e aplicar legislações a fim de garantir uma abordagem policial séria e anti-racista, assim como leis que não abram brechas para impunidade em caso de violência policial e abuso de poder, aplicando as devidas punições, extinguindo o direito do pagamento de fiança nesses casos. Ainda assim, cabe ao Ministério da Educação criar um plano que tenha como finalidade incentivar o pensamento crítico dos estudantes à cerca da consciência de classe e do combate ao racismo estrutural, por intermédio de palestras, seminários e rodas de conversas. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no que tange à questão da violência policial contra pretos no Brasil.