Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 09/07/2020

No filme “Última Parada 174”, Sandro, negro, é vítima de violência por parte dos agentes penitenciários no presídio. Análogo à ficção, parcela afrodescendente da sociedade brasileira também tem sido vítima de ações violentas por parte da polícia. De fato, isso se dá graças ao pouco número de bancadas parlamentares que tenham como foco principal essas questões e a falta de veículos eficientes de denuncia como resultado.

Primeiramente, é importante ressaltar que a falta de frentes parlamentares especificas de combate à violência de policiais contra negros é um fator que corrobora para a perpetuação dessa postura. Decerto, tal fato vai de acordo com Aristóteles, filósofo clássico, na sua crítica a democracia, ao afirmar que as questões das minorias costumam ser ignoradas no sistema democrático. Isto é, bancadas que contam com um menor número de pessoas costumam perder votações que incentivam propostas relativas a suas causas, já que sua ideia não terá pertinência perante a maioria. Assim, como um baixo número de parlamentares refletem sobre as ações violentas – especificamente por parte da polícia contra os negros - a implementação de meios eficientes de combate se torna cada vez mais difícil.

Outrossim, seria leviano não ressaltar que a falta de veículos eficientes de denúncia é outra questão que corrobora para a permanência do tal tipo de violência. Por certo, a prova disso pode ser obtida ao observar as ideias de Bourdieu, sociólogo moderno, no seu pensamento sobre os hábitos da sociedade, no qual o pensador afirma que as ações do povo são resultado da presença ou ausência de diversas estruturas. Por exemplo, como no Brasil não existe um ambiente voltado para receber as denúncias de violência policial contra afrodescendentes, os números de casos tendem a aumentar. Não somente, isso acontece por conta dos opressores se sentirem impunes, visto que, como os meios de queixa são ineficientes, é cada vez mais difícil que ocorra punição.

Portanto, sabido das principais causas que corroboram para a violência da polícia contra negros no Brasil, o Ministério da Educação deve, por meio de projetos de formação continuada, propor palestras que incentivem os alunos – futuros votantes – a darem relevância a frentes parlamentares que protejam os afrodescendentes da violência policial. A fim de atenuar a recorrência de posturas iguais as vistas no filme “Última Parada 174”. Ademais, tais palestras, ministradas por professores e sociólogos especialistas no assunto, devem ser gravadas e disponibilizadas de forma on-line, para que se atinja um público maior.