Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 19/06/2020
Em um contexto de predomínio do racismo científico - pseudociência que acreditava que todas as raças são geneticamente inferiores aos brancos- emerge no século XX o ativista e filósofo Willian du Bois que repudiava essa concepção.Nesse sentido, o pensador acreditava na ideia de progressão humana com o passar das gerações, porém, o racismo era um dos entraves, uma vez que não era explicado por uma ciência, era apenas um problema da própria sociedade. No que tange à violência policial contra negros, o ideal de progresso humano de du Bois se mostra comprometido, já que o racismo se encontra arraigado nas próprias estruturas de segurança do Estado. Por esse viés, existe um despreparo social e operacional nas abordagens policiais, além de um costume da própria sociedade em estereotipar o pardos e o pretos como figuras violentas.
As forças policiais se mostram cada vez mais despreparadas em suas abordagens, fato que se desenvolve na preparação desses profissionais. Nesse contexto, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que 75,4% das vítimas mortas por policiais são negras, o que evidencia uma necessidade de reestruturação na formação dos profissionais de segurança. Desse modo, é letal o distanciamento desses profissionais de questões sociais mais profundas, e extremamente perigoso rebaixar a profissão policial a uma extensão bruta e violenta do Estado.
Ademais, a violência policial contra negros existe devido a um comportamento racista coletivo, no qual todos os cidadão contribuem para a estigmatização da pele preta e parda. Por esse ângulo, a cultura incentivou tais pensamentos, como por exemplo o filme “O Nascimento de uma Nação”, de 1915, no qual brancos retratam negros como estupradores de mulheres caucasianas, porém, o estupro de mulheres negras por homens brancos era muito mais comum. Destarte, bastou um filme para estigmatizar a pele preta como um atributo de violência nos Estados Unidos e no mundo.
Dado o exposto, é necessário uma atuação do Ministério da Educação e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por intermédio das instituições de ensino e Academias de Polícia, que promova uma integração de ensino de Ciências Humanas e formação policial. Nesse sentido, as instituições de ensino poderão promover estágios para seus estudantes em academias policiais, para lecionarem aos aspirantes da profissão policial sobre questões históricas,sociais e culturais da desigualdade social, do racismo, do feminicídio e da violência contra crianças e jovens. Com isso, os estudos dessas questões serão quesito para aprovação desses jovens que almejam a essa profissão, o que possibilitará um maior senso crítico dos futuros policiais. Dessa forma, por meio da educação, serão combatidos preconceitos e pseudociências que inibem o progresso da civilização que William du Bois almejava.