Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 27/06/2020
No filme “Just mercy” de 2019, é retratado a luta de um advogado negro para provar a inocência de um prisioneiro condenado injustiçamente pela cor de sua pele, evidenciando em sua trajetória: o racismo das instituições de justiça da década de 80. Não diferente, observa-se na contemporaneidade a continuidade dessas coerções, exemplificadas em práticas como a violência policial. Desta maneira, o racismo mostra-se estruturado socialmente por meio do biopoder atrelado aos desdobramentos da violência simbólica.
Nessa conjuntura, é relevante destacar as diferentes formas que uma instituição - como a polícia - age. Segundo o sociólogo Giorgio Agambem, o biopoder - poder do Estado sobre a vida humana - é manifestado de maneiras diferentes em um mesmo local devido ao “estado de sítio” que certas partes vivem. Analogamente, as regiões periféricas dos municípios - local onde há a maior taxa de negros habitando - vivem esse constante estado de exceção, exemplificado pela abordagem violenta da polícia, fundamentada no racismo estrutural. Dessa forma, as instituições que deveriam produzir a justiça, contribuem para a continuidade do preconceito.
Outrossim, outros fatores contribuem para esse tratamento segregacionista. Um deles, é a violência simbólica de Pierre Bourdieu - uma violência que se manifesta por meios não necessariamente físicos, mas através de julgamentos e frases comuns. Nesse sentido, a reprodução de discursos como “você está me tratando como um negro” - dita por um médico branco - demonstram que a violência contra negros se manifesta silenciosamente no dia a dia . Assim, casos como o assassinato por policiais de João Pedro, um menino de 14 anos habitante do Rio de Janeiro, se tornam apenas estatística.
Urge portanto a necessidade de que os Ministérios da Segurança e da Saúde, construam centros de assistência - principalmente nas regiões periféricas - com o objetivo de garantir o devido auxílio aos casos de violência policial. por meio de consultas psicológicas, além de facilitar a realização de denúncias. Ademais, um projeto de lei deve ser entregue ao Senado, elaborado por Deputados Federais, objetivando aumentar a punição para policiais que cometam alguma forma de violência desnecessária, tentando romper então com o racismo estruturado.