Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 20/06/2020
O racismo estrutural e seu reflexo nas operações policiais no Brasil
No clipe da canção “Formation”, da cantora Beyoncé, pode-se observar, em uma cena, a frase “stop shooting us” (“parem de atirar em nós”), remetendo à violência policial contra os negros nos Estados Unidos. Infelizmente, o assassinato da população afrodescendente ao redor do mundo é recorrente, como aponta o site UOL, que em pesquisa demonstrou que cerca de 400.000 afro-brasileiros são mortos cotidianamente por oficiais da justiça. Esse problema se dá por causa do racismo estrutural, resultado de séculos de escravidão e também da falta de reparo social para a comunidade negra.
Primeiramente, torna-se importante destacar que o sistema escravocrata continua a percorrer, na atualidade, a história de países como o Brasil, mesmo que de forma camuflada. A morte de João Pedro, de 14 anos, atingido por balas enquanto estava em sua residência, demonstra a crueldade da operações policiais que, segundo o G1, matam aproximadamente 78% de pessoas pretas e pardas. Esse exemplo comprova que a vida negra ainda é vista como inferior e descartável, não merecendo ser respeitada, e que as leis de proteção ao cidadão só funcionam para determinados grupos privilegiados.
Em segundo lugar, compreende-se que medidas tomadas ao longo do desenvolvimento do país, como a Lei do Ventre Livre e a própria abolição da escravidão (1888), não trouxeram o reparo social esperado para esses grupos, como o trabalho remunerado, o acesso à educação e à moradia. Consequentemente, os afrodescendentes são socialmente mais frágeis, pois por falta de recursos vivem em áreas de conflitos ao longo de todo o território, além de ocuparem menos os bancos escolares - 44,2% dos homens e 33% das mulheres, segundo a Folha de São Paulo, não terminam o Ensino Médio - e, portanto, têm menos chances de modificarem suas realidades.
Desta forma, medidas são necessárias para solucionar o problema da violência policial contra os afrodescendentes no Brasil, que é resultado de um processo de escravidão que durou séculos e da falta de reparo social para esses indivíduos. Primeiro, sugere-se que o Ministério da Justiça puna com severidade policiais que ajam de forma agressiva contra negros, isso por meio da exoneração e prisão do servidor, além do pagamento de multas. Depois, como forma de conscientização da população e início de um processo de acerto histórico, o Ministério da Educação poderia criar, em parceria com instituições que lutam pela igualdade racial, um programa na televisão aberta, com duração de trinta minutos diários, para educar os cidadãos e ensiná-los sobre o histórico do racismo nacional e abordar como isso ainda afeta milhares de pessoas cotidianamente. Esse processo seria essencial para gerar discussões que mudassem a postura dos brasileiros diante de pensamentos e atos racistas.