Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 20/06/2020
No seriado “100 humanos” da Netflix, cem pessoas são voluntárias para participar de testes que avaliam o comportamento humano. Em um desses experimentos, é avaliada a resposta dada a uma suposta ameaça armada, na qual o avaliado poderia reagir com um falso disparo com arma de fogo. O resultado dessa avaliação mostrou que a maioria dos sujeitos disparava contra o ator negro, ainda que ele estivesse desarmado. Fora dos estúdios de gravação, a conduta é similar, pois a origem está em um racismo latente que induz à violência policial contra negros no Brasil e no mundo.
Primeiramente, deve-se destacar que o Brasil é um país com praxes de racismo, embora muitos evitem tocar nesse assunto. Porém, por mais doloroso que seja, é fundamental debater que o histórico de violências contra afrodescendentes possui uma origem racista que iniciou-se durante a colonização e perdura até os dias atuais. Nesse seguimento, a 13ª edição do Anuário da Violência do Fórum Brasileiro de Segurança Púbica indica que 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras eram pretos, enquanto que eles correspondem a cerca de 54% da população. Além disso, o estudo chamado “Democracia racial e homicídios de jovens negros na cidade partida” avalia que na cidade do Rio de Janeiro, indivíduos de pele preta possuem 23,5% mais chances de serem mortos, em comparação aos demais. Nesse contexto, os dados demonstram o quanto a violência policial brasileira é seletiva e discriminatória.
Outrossim, os casos de violência policial contra negros não são exclusividade brasileira. Pelo contrário, outras nações experimentam na pele preta o dissabor de condutas abusivas conduzidas pelas forças de segurança. Nesse sentido, o caso recente do homicídio de George Floyd, quem foi asfixiado por um oficial branco enquanto algemado, foi o suficiente para reacender movimentos sociais contra abusos praticados pelas polícias americanas, as quais também possuem um histórico de excesso contra a população afrodescendente. Nessa situação, espalhou-se rapidamente um movimento social e digital chamado #blacklivesmatter, o qual busca enfatizar a luta por tratamento isonômico, fato que demonstra que o desrespeito contra vidas negras é um problema em escala global.
Portanto, é mister que atitudes sejam tomadas para superar o atual quadro de violência policial contra negros no Brasil e no mundo. Para isso, os países devem, por meio de resoluções aprovadas na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), desenvolver programas de combate à violência policial, principalmente contra negros. Essas políticas devem promover as igualdades de tratamento e de oportunidades, compartilhar avanços sociais e proibir atitudes abusivas e discriminatórias, de forma a criar uma sociedade global baseada na tolerância e no respeito.