Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 26/06/2020
O ativista norte-americano Martin Luther King Jr. tinha o sonho de ver seus filhos julgados por seu caráter, não pela cor de sua pele. No entanto, a violência contra a população negra promovida pelas forças policiais em várias partes do globo, como a que tirou a vida de George Floyd em Minneapolis, demonstra claramente que esse grupo ainda é perseguido por sua etnicidade. No Brasil, as operações policiais também são conduzidas com brutalidade e excesso de força dentro de comunidades periféricas, com população predominantemente negra ou parda. Diante dessa situação, é necessário coibir a atuação discriminatória e diminuir a letalidade das ações praticada pelas forças de segurança pública.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a violência estatal se concentra mais em populações negras, pobres e periféricas. Conforme a professora dominicana Yanilda Maria Gonzáles disse em entrevista concedida ao portal UOL, “a atuação da polícia é diferenciada por cor, classe social, e geografia”. Consequentemente, os agentes da lei dotados com viés negativo e retrógrado, privam a parcela da sociedade com ancestralidade africana de seus direitos humanos, reproduzindo hierarquias racistas e classistas.
Ademais, percebe-se que os índices de mortalidade da população negra são superiores aos da população branca. O último levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicou que 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras eram negras. Ao comparar a distribuição destas mortes à distribuição demográfica desses segmentos populacionais, é possível evidenciar a seletividade da mortandade policial em relação a determinados grupos sociais.
Portanto, é mister que o Estado promova medidas de combate ao quadro atual de violência contra negros. Para proteger a população negra e punir os abusos de autoridade, urge que o Ministério da Justiça crie mecanismos de controle e prevenção da violência policial, por meio de recursos tecnológicos e informacionais, que permitam acompanhar e planejar as operações em tempo real. Além disso, é necessário que a Polícia Militar reformule seus protocolos de abordagem ao público contando com a participação de toda à sociedade civil, para assim extinguir qualquer tipo de viés racial e servir à todos igualitariamente. Somente assim, poderemos realizar o sonho do reverendo Martin Luther King Jr. e evitar mortes de tantos outros Georges.