Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/06/2020
A agressividade com o povo negro teve sua ascensão por volta do século XV, com a adesão global ao uso da mão de obra escrava. Nessa lógica, o modelo escravocrata que perdurou, na época, de forma legítima por mais de quatrocentos anos, deixou suas marcas, principalmente racistas, inclusive nas instituições policiais de todo mundo. Somando-se a isso, no Brasil, o treinamento baseado no uso prioritário de força e o racismo estrutural incentivam a violência policial contra negros no país. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar a violência usada pela polícia brasileira.
Inicialmente, é importante verificar o principal desdobramento do treinamento policial, baseado no uso de força, na vida da sociedade brasileira. Nesse contexto, em 2019, Ághata Félix, criança preta de apenas oito anos, foi morta por um disparo efetuado pela polícia que, ao suspeitar de um motociclista, na favela onde a criança residia, não mediu forças na abordagem e usou seu poder bélico diante de vários transeuntes. À vista disso, a violência policial contra negros se evidencia, visto que as ações desses agentes de segurança têm sido efetuadas de forma truculenta nos locais em que há predomínio da população preta e pobre. Desse modo, é absurdo que o Estado permita que a força policial seja usada como primeira opção e ameace a vida, sobretudo, da população preta de seu país.
Ao mesmo tempo, vale também ressaltar como o racismo estrutural influencia o uso de violência policial contra a população negra. Nesse sentido, segundo o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, a força é justa quando necessária. Sob essa perspectiva, a polícia, que deveria ser provedora de segurança para população, ainda influenciada por atitudes racistas fomentadas desde o Brasil colônia, tem aplicado sua força de forma desproporcional e, muitas vezes, fatal no povo brasileiro de pele preta. Dessa forma, é lamentável que, no Brasil, a polícia, em geral, ainda tenha a pele escura como alvo de sua violência gerando um ambiente de insegurança para população negra.
Nota-se, portanto, o quão danosa a presença do uso de força policial e do racismo estrutural são para a vida da população negra brasileira. Assim, cabe ao Governo Federal zelar pelo bem-estar do seu povo. Isso pode ser feito por meio da redução da violência nas ações policiais, ao propor atualizações nos treinamentos de abordagem dos seus oficiais de forma a diminuir a violência dessas, e da educação histórica dos agentes de segurança, ao oferecer cursos de história nos batalhões de polícia para que o racismo estrutural seja identificado e abolido pelos oficiais. Espera-se, dessa maneira, que a violência policial seja amenizada e a população negra passe a ter seu bem-estar assegurado, desse jeito, apagando progressivamente as marcas racistas que ainda assolam o Brasil.