Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/06/2020
Gilberto Freyre, sociólogo brasileiro, defendia a tese de que havia uma democracia racial no Brasil, ou seja, uma harmonia entre negros e brancos possibilitada pela miscigenação sócio-cultural. No entanto, tal argumento revela-se falho quando confrontado não só com o racismo da realidade brasileira, mas também com o do mundo. É notável que as raízes históricas são a causa dessa conjuntura mundial, a qual, mesmo não apresentando a violência da escravidão dos séculos passados, persiste em violentar o diferente por meio de outras maneiras, estando entre elas a agressão policial.
Primeiramente, verifica-se que a problemática origina-se de contextos históricos que resultaram na segregação e estereotipação da etnia negra. A escravidão que existiu nas colônias sulistas norte-americanas, bem como a tardia abolição brasileira são exemplos da agressão histórica sofrida pelos negros. Não obstante, segundo a Nova Historiografia, tais movimentos foram rompidos, mas legaram permanências. Apesar da ruptura da escravidão, a população negra foi marginalizada, não recebendo apoio de as políticas públicas de educação, saúde e segurança que mereciam. Isso resultou em um progressivo envolvimento desses indivíduos com o subemprego e a criminalidade. Tal estigma, por sua vez, levou à associação da cor de pele escura ao que é criminoso, marginal e ruim.
Consequentemente, tais fatores históricos favorecem a atuação policial diferenciada de acordo com a cor dos cidadãos. Dessa forma, a polícia de diversos países, agindo de acordo com uma hierarquia social baseada no preconceito racial, promove a matança inadmissível de negros em proporções aterrorizantes. Segundo Yanilda Gonzáles, pesquisadora de ciências sociais da Universidade de Harvard, a população negra representa 13% do povo norte-americano, mas é 25% das vítimas da polícia. Tais dados denunciam um quadro de desigualdade tremenda no modo como as instituições de segurança tratam os seus casos, configurando praticamente um contexto de perseguição à etnia negra.
Dessa maneira, considerando os acontecimentos históricos e a violência atual sofrida pelos cidadãos de pele mais escura, urge que medidas sejam tomadas para amenizar tal realidade. Bom seria se os Estados mundiais, em parceria com a Organização das Nações Unidas, implementassem projetos de reforma de suas instituições policiais. Tais planos deverão incluir a criação de novas regras de ação acerca de como abordar criminosos, acompanhados de rígida fiscalização de agentes internacionais para a averiguação do cumprimento igualitário das normas de trabalho. Ademais, a população de cada nação deve ser convocada, mediante informes virtuais, a vigiar o proceder das polícias do país, sendo incentivadas a denunciar qualquer tratamento desigual delas para o governo. Desse modo, será possível caminhar gradualmente para uma distante, mas possível, democracia racial.