Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/06/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à violência militar contra os negros no mundo contemporâneo, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto do autoritarismo policial quanto do silenciamento a nível pessoal.

Deve-se analisar, primeiramente, que o abuso da autoridade é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que a violência policial contra a comunidade negra é um impasse enraizado na população desde o golpe militar de 1964, no qual evidenciou forte opressão “conservadora” contra os negros. Diante disso, é notório que tal âmbito ainda estar eminentemente enraizada no núcleo brasileiro, acarretando, dessa forma, sérios transtornos sociais e psicológicos nos indivíduos afro-descendentes. Um caso que gerou comoção mundial no vigente ano de 2020, foi a morte do americano George Floyd que, sufocado por um policial sussurrou, por vezes, a seguinte frase " não consigo respirar “. Contudo, torna-se substancial a dissolução desse empecilho intransigente.

É vital evidenciar, ainda, que a letalidade policial contra os grupos negros encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão do preconceito policial a tal parcela populacional, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Anuário da Violência, em 2019, 75% dos mortos pelas operações policiais eram negros. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se, o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com o Poder Legislativo, por meio de ações: leis mais amplas, fiscalizações  mais rigorosas nas operações militares, programas de orientação psicológica com os conservadores da segurança comunitária, assegurar uma melhor capacitação policial a esses indivíduos, para que, de tal forma, a violência policial contra as pessoas de pele negra possa ser erradicadas da esfera social, exercendo, realmente as diretrizes da Carta Magna de 1988. Somente, assim, os escândalos metaforizados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados da nação.