Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 22/06/2020
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 75% das vítimas de homicídios cometidos por policiais são negras. Nesse contexto, é evidente a persistência do racismo e as sequelas deixadas pela escravidão no país. Portanto, é fundamental compreender as origens da criminalização da população negra e buscar medidas que reduzam o racismo e a violência policial contra essa minoria.
Primeiramente, o fim da escravidão não foi acompanhado da efetiva inserção dos negros na sociedade brasileira. Como consequência, esse grupo social foi marginalizado, passando a viver sob péssimas condições de vida nas periferias e com oportunidades totalmente desiguais àquelas oferecidas à população branca. Assim, muitas dessas pessoas encontraram no mundo do crime uma forma de ascender socialmente. Nos Estados Unidos, o cenário não foi diferente. O documentário norte americano “A 13º emenda” retrata como tal legislação aboliu a escravidão e criou o estereótipo do homem negro como criminoso e violento, associando os crimes à população negra e lotando as penitenciárias. Dessa forma, a violência policial contra os negros é reflexo do racismo presente na sociedade.
Além disso, a negação do racismo na sociedade brasileira é um dos principais fatores que contribuem para a persistência da discriminação racial no país. Conforme o sociólogo Gilberto Freyre, as diversas etnias brasileiras viviam cordialmente no país devido à miscigenação, o que dava a ideia de uma falsa democracia racial. No entanto, tal visão mostra-se incompatível com a realidade da sociedade brasileira, uma vez que a população negra é a maior vítima da violência policial e representa os menores índices de escolaridade, cargos políticos e empregos de prestígio no país.
Logo, é essencial que medidas sejam tomadas a fim de reduzir o racismo no Brasil e, consequentemente, a violência policial contra os negros. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as instituições de ensino, incluir no currículo escolar aulas e palestras sobre a importância dos negros na formação do país e sobre a importância de combater o racismo, objetivando formar cidadãos críticos e sem os preconceitos do passado. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por sua vez, deve ser responsável por garantir a formação de policiais mais preparados e imparciais, a fim de evitar julgamentos errôneos e preconceituosos baseados em aspectos raciais. Por fim, o Ministério do Trabalho e o Ministério da Educação devem ser responsáveis por garantir melhores oportunidades para a população negra, por meio de ações afirmativas, promovendo uma maior participação dos negros no mercado de trabalho e nas universidades. Somente assim será possível criar uma sociedade mais igualitária, rompendo com os preconceitos herdados do passado.