Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 23/06/2020

No filme brasileiro Tropa de Elite, do diretor José Padilha, é retratada a história de um grupo policial no Rio de Janeiro, que a princípio mostra-se determinado a combater o narcotráfico nas favelas. Entretanto, a obra apresenta a maneira como esses agentes atuam nas comunidades, utilizando de forte violência nas abordagens com os moradores, que em sua grande maioria é negra. Desse modo, tal ficção, parece explorar a realidade das ações de policiamento no Brasil e no mundo, que apesar de, constitucionalmente, terem como dever proteger, a violência policial, principalmente contra negros, ainda é um grande óbice a ser enfrentado. Nessa perspectiva, a fim de compreender para assim, atenuar, cabe analisar os efeitos do racismo estrutural, bem como a violência e o autoritarismo policial.

Primordialmente, é valido ressaltar que racismo estrutural, é o termo usado para reforçar o fato de que há sociedades estruturadas com base na discriminação, que privilegia algumas raças em detrimento de outras.Prova disso, é o contraste explícito entre o perfil da população brasileira e sua representatividade no Congresso. Enquanto a maior parte dos habitantes é negra (54%), quase todos (96%) os parlamentares são brancos. Outro dado relevante da violência contra a população negra, é que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Dessa forma, por mais que as leis garantam a igualdade entre os povos, o racismo é um processo histórico que ainda modela a sociedade.

Observa-se, ainda que a brutalidade e o autoritarismo policial tem um grande indicador racista. Pois, segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75% das vítimas pelas polícias brasileiras, eram negros. Ainda, a Constituição Cidadã de 1988 garante igualdade e dignidade a todos, todavia, esse direito encontra-se deturpado à medida que o discurso de ódio e as ações violentas contra minorias se fazem cada vez mais frequentes. Tal fato disso, foi o caso de George Floyd, homem negro, estadunidense, de 46 anos, que após uma suspeita do uso de cédulas de dinheiro falso, foi abordado e morto por um policial branco. Assim, faz-se notória a máxima da filósofa Angela Davis, de que em uma sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar a situação atual. Cabe ao Ministério de Segurança Pública, criar, por meio de verbas governamentais, programas de retreinamento para policiais de todas as repartições, como forma de instruí-los a fazerem abordagens sem violar os direitos humanos, para assim reduzir os casos de violência policial durante ocorrências. Urge, também, que os policiais infratores sejam afastados de seus cargos e punidos conforme a lei. Ainda, o racismo deve ser uma pauta cotidiana nas escolas e faculdades, e precisa envolver tanto professores como estudantes, como forma de construir um ambiente de respeito ao próximo.