Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 09/08/2020

No seriado estadunidense “Olhos que Condenam”, cinco adolescentes negros são acusados injustamente por um crime ocorrido no Central Park. No entanto, a ausência de provas que os condenem não impede o abuso de violência psicológica e física pelas forças policiais. Na contemporaneidade, analogamente, a violência policial contra negros se vê, de fato, atrelado à hierarquização racial e ao racismo enraizado historicamente na sociedade. Diante desse excludente cenário, faz-se indispensável o debate acerca da proposição de intervenções que o mitigue.

Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente histórica em torno da primazia racista no meio militar, nota-se replicações na sociedade. Nesse ínterim, no contexto da República Velha, houve um motim naval na cidade do Rio de Janeiro: a intitulada Revolta da Chibata. Diante disso, negros da marinha se revoltaram contra as punições aplicadas por oficiais navais brancos aos marinheiros afro-brasileiros. Não obstante, a violência militar, dada como ferramenta mister na manutenção da ordem naval, corroborou a hierarquização da população branca na sociedade, em vias da pragmática sub colocação dos negros frente ao poder exercido pelos brancos, na contemporaneidade.

Outrossim, vale ressaltar uma perspectiva sociológica acerca da execrável manutenção do racismo policial na sociedade. Nesse sentido, enfatiza-se a ótica do alemão Albert Einstein, pai da teoria da relatividade, ao propor que seria mais viável promover a desintegração de um átomo do que extinguir um preconceito enraizado. Desse modo, a violência policial contra negros faz-se intrinsecamente atrelada ao tempo, haja vista a prerrogativa racista no militarismo do século XX e a persistência na contemporaneidade. Tal fato se explicita ao tomar como norte o caso de George Floyd, um afro-americano brutalmente assassinado por um policial em Mineápolis, no ano de 2020. Em suma, torna-se imprescindível a proprosição de intervenções que inibam a violência policial na pós-modernidade.

Percebe-se, portanto, que a violência contra negros enfrenta barreiras preocupantes no Brasil e no mundo. Diante disso, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas governamentais, investir em campanhas publicitária que enfatizem a igualdade racial, a exemplo de propagandas em meios de altos índices de compartilhamentos. Tal medida prevê a aniquilação da hierarquização racial intrínseca à contemporaneidade. Ademais, cabe às forças policiais - nas esferas nacionais, estaduais e municipais- propor medidas protecionistas que inibam o abuso de violência policial contra negros, a exemplo do investimento em câmeras de monitoramento para serem utilizadas nas abordagens policiais, a fim de refrear ações de caráter racista. Somente assim, atenuar-se-á a injustiça e a violência policial contra negros, tal qual exemplificada em “Olhos que Condenam”.