Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 28/06/2020

Em maio deste ano, a notícia da morte no norte-americano George Floyd, durante uma abordagem policial, comoveu o mundo. Ele estava desarmado, algemado e era inocente, no entanto, o simples fato de ser negro fez com que um oficial permanecesse cerca de oito minutos com o joelho sobre pescoço do então suspeito, levando-o a óbito por asfixia. Embora tal episódio tenha ocorrido nos Estados Unidos, a violência policial contra negros é uma realidade corriqueira no Brasil.

Nesse sentido, é fundamental discutir como o preconceito racial enraizado e o despreparo da polícia contribuem para essa problemática. A priori, convém destacar que o racismo estrutural é um dos principais problemas da sociedade contemporânea, tendo em vista a exclusão, a desigualdade social e a violência enfrentadas pelos negros. Todavia, para o sociólogo Florestan Fernandes, tal questão não é algo novo, mas sim resultado da escravidão que nunca foi superada. Prova disso é a permanência do sentimento de superioridade racial que faz com que esse grupo étnico seja subjugado, ao posso que o uso arbitrário da força se torna legítimo. Fatos que que evidenciam a importância de políticas de prevenção e enfrentamento à discriminação.

Dessa forma, para combater esse problema, o racismo se tornou crime previsto no Código Penal. No entanto, o que fazer quando a própria polícia, que deveria impedir a violência, se torna o agressor? De acordo com um levantamento recente divulgado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, 67% das vítimas de violência policial no país se declararam pretas e pardas. Esses dados, portanto, corroboram com a ideia de que a polícia não está preparada para atuar em campo. Primeiramente, porque uma abordagem jamais deveria ser realizada mediante ao abuso de autoridade, além disso, a afrodescendência precisa deixar de ser sinônimo de delinquência para os agentes.

Sendo assim, tendo em vista a necessidade de romper com o estereótipo vigente, é impreterível que as Polícias Militar e Civil promovam cursos intensivos sobre a temática racial. Para tanto, deverão ser realizadas palestras com especialistas em Direitos Humanos, entrevistas com vítimas e seus familiares, bem como consultas individuais com psicólogos para determinar o perfil de cada um dos agentes a fim de comprovar se estão ou não preparados para o trabalho em campo. O fito de tal ação é garantir um treinamento de qualidade para que a trágica realidade brasileira seja revertida. Assim, conforme Martin Luther King: “O tempo é sempre certo para fazer o que está certo”.