Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 23/06/2020
No mês de maio de 2020, o mundo vivenciou uma série de manifestações (a maioria não pacífica) contra o racismo e a violência policial contra negros. Os protestos foram desencadeados por uma série de motivos, tais como as mortes de Breonna Taylor, jovem negra que foi assassinada por policiais estadunidenses em 13 de março de 2020, e George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco em 25 de maio de 2020. A morte de George Floyd causou uma mobilização da população e, como resultado, desencadeou uma série de protestos não só nos Estados Unidos, mas também no mundo todo. Segundo Jaqueline Sinhoretto, pesquisadora e professora da UFscar, 61% das vítimas de morte por policiais entre os anos de 2009 e 2011 no Brasil eram negras. Inquestionavelmente, há uma diferença de tratamento entre brancos e negros por parte da polícia e não é certo que os envolvidos saiam impunes.
Ademais, a população negra possui muito menos representatividade no setor judiciário, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apenas 18% dos juízes brasileiros são negros. De certo, o fato de se ter poucos juízes negros cria uma carga cultural desfavorável ao negro quando ele entra no tribunal, dessa forma, é possível que um juiz branco dê uma sentença muito maior para um negro do que um juiz negro daria. Segundo a Revista Raça, a probabilidade de um negro estar entre os 500 mil detentos atuais é 3 vezes maior do que a de um branco.
Certamente, medidas devem ser tomadas para proteger a população negra da tirania dos policiais brancos racistas que deveriam proteger todos os cidadãos independente da cor da pele e tratá-los de forma justa e com respeito. Ambos brancos e negros devem receber sentenças baseadas puramente na gravidade dos delitos cometidos, logo, seria necessário que o governo permitisse uma segunda avaliação da sentença e um júri que se mostre, de fato, imparcial. Também, apenas um negro entende a realidade de um negro, portanto, o Tribunal de Justiça deveria permitir que negros tivessem a opção de solicitar um juiz negro para atuar na determinação da sentença. Principalmente, é extremamente necessária uma reforma na Polícia Civil e na Polícia Militar, além de, sobretudo, cabe ao Estado certificar-se de que policiais que abusam do poder lidem com as consequências dos seus atos, com o propósito de trazer justiça às famílias das vítimas da violência policial.