Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 02/07/2020

O movimento negro é um fenômeno social que se manifesta de diferentes maneiras em organizações ao redor do mundo e que visa a reivindicação de direitos ausentes para população preta. Nesse viés, um assunto abordado por essas associações é a violência policial contra negros no Brasil e no mundo. Dessa forma, é importante analisar como a não inclusão do preto na sociedade e a corrupção do sistema policial, que diverge da sua função de proteção, contribuíram para esse tipo de agressão.

Primeiramente, é fato que a abolição da escravatura possibilitou a liberdade dos escravos brasileiros que até então não a tinham, mas não os incluiu na sociedade. Conforme o pensamento do sociólogo Florestan Fernandes, essa marginalização do negro se intensificou mediante ao advento da industrialização que proporcionou a chegada de imigrantes para trabalhar e, pois, uma maior exclusão do preto para as favela. Logo, por isso há uma associação feita pela sociedade e pelas forças armadas de que essa população está diretamente ligada à criminalidade, já que é, em sua maioria, oriunda das periferias. Ademais, a frase de senso comum “quem tem medo da polícia é bandido” alimenta o pensamento errôneo de que a polícia só age duramente somente contra criminosos.

Outrossim, é válido apontar que o sistema policial está fundamentado em hierarquias sociais racistas e conservadoras devido a própria herança da aristocracia escravocrata. Nesse contexto, o racismo estrutural no qual as atitudes preconceituosas contra os negros são consideradas como algo normal, internaliza essa mentalidade nas pessoas. Além disso, segundo a filósofa preta Angela Davis, o mundo encontra-se na era do complexo industrial prisional no qual o encarceramento em massa gera lucros  para o capitalismo ao mesmo tempo enclausura a população afrodescendente. Portanto, as prisões são uma extensão de um sistema escravagista corrupto baseado em pressupostos racistas e diverge, pois, de sua original função que é, na teoria, garantir a proteção da sociedade.

Torna-se claro, então, que é imprescindível a tomada de decisões que mitiguem a violência policial contra negros e passe a incluí-los na sociedade ao mesmo tempo que diminua a corrupção das forças armadas nesse quesito. Nesse sentido, o movimento negro de cada país deve mobilizar passeatas nas ruas por meio da divulgação via internet, que é de fácil informatização, a fim de denuncie as práticas racistas da polícia que provocam a violência contra a população afrodescendente.    Por conseguinte, a Polícia Federal deve ministrar palestras por meio da obrigatoriedade delas para o currículo dos policiais, que desmitifiquem a questão do negro e apresentem visões de sociólogos como Florestan Fernandes e filósofos como a Angela Davis. A fim de que o preconceito racial presente nas forças armadas brasileiras seja erradicado e não haja mais agressões policiais contra os negros.