Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 09/07/2020

Em um dos episódios da série norte-americana “Grey’s Anatomy”, Doutora Bailey e seu marido ensinam seu filho Willian, um jovem negro, a reagir a uma abordagem policial, de forma a garantir a segurança do adolescente neste tipo conduta, de viés notavelmente discriminatório. Apesar do caráter ficcional, a circunstância retratada na série aproxima-se da realidade: a cor – negra - da pele aumenta a opressão policial, sendo imprescindível analisar sua origem e reflexos.

Em primeiro lugar, uma das causas da brutalidade cometida contra negros é o racismo, que tem origem histórica. O sistema escravocrata adotado em um grande número de nações entre os séculos XVI e XX, beneficiou e enriqueceu a população branca, por meio da exploração da mão de obra africana. Apesar desse sistema ter sido abolido, por muito tempo se propagou a ideia de maioridade racial, na qual brancos são superiores a outras raças. No Brasil, por exemplo, a política de embranquecimento visava “solucionar” o excesso de negros no país entre 1889 e 1914, incentivando a vinda de europeus para o país. Mais de um século depois, a persistência da discriminação racial ainda se manifesta de diversas formas, entre elas no número de vítimas de violência cometida pela polícia.

De fato, ao analisar o perfil alvo da letalidade policial, é evidente o viés racial nos homicídios. Recentemente o brasileiro João Pedro e o norte-americano George Floyd foram alguns dos nomes que causaram comoção mundial após serem assassinados - injustamente - em operações policiais. Esses exemplificam a desigualdade desse sistema que tem estatísticas preocupantes. Apesar de 56% da população brasileira declarar-se negra ou parda, esta representa 75% dos massacres sofridos. Outrossim, nos Estados Unidos, essa etnia constitui 13% da população, mas um quarto dos assassinatos pela polícia. Portanto, é fato que a conduta agressiva se concentra mais nos cidadãos negros.

É urgente, portanto, combater esse genocídio. Para isso, os órgãos competentes, como a Secretaria de Segurança Pública no Brasil, devem ofertar, para os profissionais de segurança pública, cursos, palestras e debates acerca da história e cultura dos afrodescendentes. Espera-se, com essa medida, conscientizar esses trabalhadores e desconstruir o “pré-conceito” existente. Aliado a isso, as atuações hostis motivadas pela cor da pele devem ser julgadas e punidas com severidade pelo Ministério Público, de forma a promover justiça e igualdade entre as raças. Só assim, o racismol, como o enfrentado por Willian, será combatido.