Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 11/09/2020
No livro “O Ódio que Você Semeia”, é narrado o injusto assassinato do jovem negro Khalil, durante uma abordagem de um agente da polícia branco, tornando-se, assim, mais uma vítima da brutalidade policial. Fora da ficção, é fato que a realidades sociais brasileira e mundial podem ser relacionadas ao universo do livro, uma vez que o nocivo quadro da violência policial contra negros acarreta prejudiciais consequências tanto para a saúde física quanto mental de tal minoria. Nesse preocupante contexto, é necessário compreender como o racismo enraizado na sociedade contribui para a persistência e, consequentemente, para a banalização da agressividade policial contra esse grupo.
Em primeiro lugar, é imprescindível analisar a alarmante questão do preconceito racial histórico sob a perspectiva do sociólogo Pierre Bourdieu. Segundo o autor, a “violência simbólica” é um instrumento de coerção de ideologias dominantes, transmitida de forma sutil, ou seja, incorporada nos discursos. Nesse sentido, o racismo enraizado no tecido social é disseminado, mesmo que inconscientemente, pela população, o que perpetua pensamentos elitistas e discriminatórios. Dessa forma, devido ao preconceito, diversos negros sofrem com a agressividade policial, dado que o falso estereótipo de marginalização desse grupo foi naturalizado por parte da sociedade. Assim, a “violência simbólica” colabora para a permanência das hierarquias sociais e, paralelamente, para a persistência da hostilidade policial contra negros no mundo.
Por conseguinte, a banalização da brutalidade entre alguns policiais leva diversos negros à morte. Nessa lógica, de acordo com o conceito de “banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. De maneira análoga, parte dos policiais se acostumou com as abordagens rigorosas contra indivíduos afrodescendentes, o que corrobora a ocorrência de intervenções cada vez mais cruéis. Isso se evidencia, por exemplo, no caso do negro George Floyd, morto durante uma abordagem policial que deveria ser “rotineira”, mas se tornou letal. Desse modo, a banalização da violência policial figura uma problemático preconceito, apenas mais dissimulado.
Em suma, é mister que o Governo tome providências para alterar quadro da hostilidade policial contra negros. Nesse viés, o Estado e o Ministério Público devem, em parceria com o Ministério da Segurança, criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, com o objetivo de desenvolver cursos preparatórios específicos para impedir o racismo e a violência nas abordagens policiais. Esse curso deve ocorrer por meio de palestras, a fim de conscientizar os profissionais da segurança para que menos casos de brutalidade contra negros - como os de Khalil e George - ocorram no Brasil.