Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 26/06/2020
Desde o Iluminismo, se sabe ou deveria saber que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o racismo em pleno século XXI, percebe-se que esse ideal iluminista é verificado na teoria e não desejavelmente na prática. Com isso, surge a problemática da violência policial contra negros no Brasil e no mundo, seja pela negligência governamental, seja pelo preconceito racial.
Sob esse viés, é indubitável que a questão governamental esteja entre as causas. Nesse contexto, o teórico Karl Marx aborda a injusta ação do Estado, que atende apenas à classe dominante. Dessa maneira, alienados pelo capitalismo e pelos valores líquidos da atualidade, os governantes negligenciam a necessidade de mudança dessa realidade em relação à violência policial contra negros no Brasil. Nesse ínterim, observa-se a falha no aparelho estatal, uma vez que em 2017, o G1 apresentou dados que apontam que 87 % da população negra do Brasil já foram detidos ou já sofreram algum tipo de discriminação pelas autoridades e nenhuma medida foi tomada para mudar essa situação.
Outrossim, destaca-se o preconceito racial entre os fatores desse impasse. Nesse sentido, de acordo com o Artigo 5 da Constituição Federal, todos os indivíduos são iguais perante a lei, sem distinção de nenhuma natureza, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de assegurar a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade e à segurança. O que se nota, pois, na contemporaneidade, é a inoperância desse direito constitucional, uma vez que o preconceito racial vem crescendo de forma alarmante e trazendo efeitos negativos em todo o mundo. De acordo, com a ONU (Organização das Nações Unidas) , entre 2007 e 2017, mais de 400.000 afro-brasileiros foram mortos sob violência militar, mas acima de tudo, vítimas de discriminação racial histórica e estrutural do país.
Em suma, são necessárias medidas governamental para resolver o impasse. Posto isso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, criar um projeto a ser entregue à Câmara dos Deputados, por meio de uma reforma mais rigorosa nos cursos preparatórios da polícia, com matérias obrigatórias de sociologia e história abordando os direitos humanos e a cultura afro-africana. Além disso, deverá ter provas orais acompanhado de um psicólogo, caso o aluno apresentar algum tipo de preconceito não poderá prestar o serviço militar. Talvez dessa forma a violência policial contra negros se faça presente apenas em futuros livros de história e a sociedade brasileira possa transformar os ideais iluministas em prática, não apenas em teoria.