Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 03/07/2020

Junho de 2020 marcou a explosão de protestos e revoltas após o assassinato de George Floyd nos estados unidos, alimentando debates sobre o racismo e levantando novos questionamentos sobre a atuação dos policiais contra a comunidade negra. Nas redes sociais, as pessoas publicavam imagens e textos em solidariedade as vitimas e em protesto ao racismo com a ‘‘hashtag’’ ‘‘black lives matter’’, que quer dizer ‘‘vidas negras importam’’, enquanto manifestantes vão as ruas pelo mundo todo em protesto antirracista. A partir desse viés, é de estrema importância entender o que é, e o que ocasionou o racismo estrutural no Brasil, e discutir sobre a opressão e o abuso de poder exercido por alguns policias.

O racismo estrutural é usado para enfatizar o fato de que algumas sociedades são construídas com base na discriminação e priorizam certas raças em detrimento de outras. No Brasil, e em outros países americanos e europeus, essa distinção favorece os brancos, e desfavorece os negros e os povos indígenas. Essa estrutura social possibilitou a manutenção do racismo ao longo da história, inclusive do Brasil, que pode ser contada a partir das próprias leis do país, um exemplo disso é a Lei Áurea, de 1888. Além de o Brasil ser o último país das Américas a aderir à libertação das pessoas escravizadas, a população negra que vivia aqui se viu livre, porém sem opções de emprego ou educação, prejudicando ainda hoje, os descendentes de escravos que desde então não tiveram as mesmas oportunidades que os brancos.

Jovens negros, pobres e moradores de favelas, pertencentes a bairros socialmente vulneráveis e/ou com altos índices de violência  configuram o público alvo das abordagens policiais. Muitos desses contatos resultam em agressões desnecessárias e até homicídios, ocorrências essas, que na sua grande maioria, são  arquivadas pelos orgãos de corregedoria das policias, sob o pretexto de que os agentes agiram dentro da lei.

Sem a pressão unificada da sociedade, poucos políticos vão provocar a polícia, só vão se acomodar. Por isso, é tão importante ver essas grandes mobilizações no mundo contra a violência policial e o racismo, mais importante do que se posicionar num momento como esse, é manter sua posição para que a mudança ocorra. É preciso que ponham em prática punições necessárias aos policiais que cometeram tais crimes de racismo, e que a população estude sobre a discriminação racial e o racismo estrutural no Brasil e no mundo, apoie artistas e intelectuais negros. Como o racismo é algo cultural, precisa ser trabalhada a desconstrução do racismo no mundo através de palestras com pessoas negras relatando suas lutas e dificuldades na sociedade.