Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 07/07/2020

Violência, segregação, mortes, e, diante disso, uma assombrosa negligência. Foi devido a este cenário, comum a diversos países, que o movimento anti-racista “Black lives matter” encontrou seu momento de maior destaque em 2020. Fundado em 2013 por um trio de ativistas norte-americanas, o movimento ganhou maior popularidade após a morte de George Floyd, um cidadão norte-americano negro vítima de ações extremamente agressivas exercidas por um grupo de policiais. Infelizmente, atos policiais baseados no racismo são recorrentes em diversas sociedades no mundo contemporâneo, e, no que concerne a posicionamentos políticos em prol do combate a esse problema, encontra-se um aspecto de negligência preocupante.

Em primeira análise, é válido destacar os fatores que favorecem a violência policial contra a população negra. Dentre eles, há a marginalização desse grupo étnico. Tomando como exemplo a sociedade brasileira, dados fornecidos pelo IBGE indicam que, a cada três pessoas desempregadas no país, duas são negras. Índices como esse corroboram a visão de que a permanência do preconceito racial torna as pessoas dessa etnia mais submetidas ao desemprego e, por conseguinte, a dificuldades financeiras e à marginalização. Essa realidade problemática favorece a associação preconceituosa do comportamento social de um indivíduo à cor da sua pele, além de facilitar a impunidade dos policiais, visto a falta de recursos e de conhecimento sobre a criminalização da violência policial que afeta a população economicamente desfavorecida. Ademais, há a questão do prestígio associado aos policiais em muitos países, que torna mais complexa e infrequente a punição desses profissionais.

Sob esse contexto, observa-se que situações como a ocorrida com George Floyd tornam-se cada vez mais frequentes no Brasil e em outros países. Entretanto, órgãos governamentais em geral apresentam ou uma escassez de atitudes referentes à questão, ou um posicionamento desfavorável à solução do problema. Há, por exemplo, a oposição do governo estado-unidense à realização pela ONU de um inquérito que visa apurar a ocorrência da violência e do racismo policiais nesse e em outros países. No viés brasileiro, pode-se exemplificar a votação acerca do projeto de Lei que promove a impunidade dos atos da polícia nacional e, portanto, ignora a marginalização e as mortes crescentes de negros no país.

É urgente que a questão da agressividade policial para com negros não seja negligenciada. Assim, são fundamentais as campanhas midiáticas contra o racismo, realizadas por intermédio de meios de comunicação de longo alcance, a fim de divulgar dados reais sobre o tema e evitar que a população se torne passiva quanto a esse problema. Por fim, é igualmente essencial que os órgãos governamentais demonstrem apoio a movimentos como o “Black lives matter” e, portanto, às vidas negras em risco.