Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 06/07/2020

Desde o surgimento do Iluminismo no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, a violência policial contra afrodescendentes aponta que os ideias iluministas são atestados na teoria mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela política higienistas do estado e, também, pelo despreparo policial. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.

É relevante abordar, primeiramente, que a truculência policial nas favelas do Rio de Janeiro deriva de uma ação governamental direta. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira símil, é possível perceber que o programa de extermínio da população negra e periférica desfaça essa harmonia, haja vista que os policiais entram nas favelas, por meio de operações, com a ideia de atirar primeiro e perguntar depois. Dessa forma, episódios como o do músico Evaldo dos Santos, que teve seu carro alvejado com 80 tiros, se torna corriqueiro, uma vez que esses oficiais são assegurados e protegidos pelo estado.

Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que a sociedade está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras, se evidencia quando, de acordo com uma matéria publicada pela Exame, a polícia do Brasil é a que mais mata no mundo, superando, inclusive, países em situação de guerra. Assim, casos como o do menino marcos Vinícios, que morreu com um tiro enquanto ia para o colégio, é colocado como apenas mais um nas estatísticas. No país em que a justiça é seletiva, a população aprendeu a normalizar esses atos e, em vista disso, esses crimes quase sempre ficam em pune.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca da violência policial é imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da defesa elabore um projeto de lei, que deverá ser votado pelo poder legislativo, com o objetivo de reformular a política interna da corporação policial do país. Para isso, os agentes terão um treinamento especial para que estejam mais preparados quando adentrarem nas comunidades e, com isso, atuarem com inteligência e estratégia nas missões, ao invés de truculência e violência desnecessária. Com isso, o número de disparos acidentais e mortes por bala perdida diminuirão e, consequentemente, a morte de crianças e adolescentes negros decairá.