Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 06/07/2020
O enredo da obra literária de Angie Thomas, “O ódio que você semeia”, gira em torno do assasinato de um garoto negro, cometido por um policial branco. No livro são abordados diversas pautas relacionadas à brutalidade policial, entre elas a diferença no tratamento que indivíduos de diferentes etnias recebem e o fato de que a esmagadora maioria dos oficiais de polícia que cometem atos de violência contra a população negra raramente são punidos. A situação apresentada na obra ficcional pode ser facilmente comparada à realidade vivenciada por milhares de cidadãos negros no Brasil e em todo o mundo, que experienciam na pele a violência policial.
Em se tratando da abordagem policial violenta, é comum se deparar com argumentos equivocados, como a ideia de que a população negra está mais propensa a cometer atos ilícitos e, por isso, as ações brutais da polícia são justificáveis. Entretanto, estudos realizados pela Gevac (Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos) mostram que a predominância de indivíduos negros no sistema carcerário vem do racismo institucional implantado nas forças policiais. Dessa forma, comunidades predominantemente negras recebem um monitoramento policial muito maior em relação à população branca, logo, são mais surpreedidas cometendo delitos. Como exemplo disso, a Gevac utiliza o caso do tráfico de drogas no Paraná, que é comandado por indivíuos majoritariamente brancos e de classe alta e mesmo assim a maioria dos encarcerados são negros.
Além disso, também é apresentado pela Gevec que apenas 1,6% dos assassinados cometidos por policiais resultam em um inquérito policial. Na maioria dos casos, a possibilidade de que o policial tenha agido com excesso de força não é sequer cogitada e o delito é visto como acidental. O exemplo mais atual está no caso do americano George Floyd, que foi vítima de uma abordagem policial extremamente violenta que resultou em sua morte. O caso deu inicio a uma onda de protestos nos Estados Unidos que pediam a prisão do assassino, não só de George, mas também de muitos outros cidadãos negros que passaram por situações semelhantes.
Sob essa ótica, é de extrema importância que as reinvindições realizadas nos protestos sejam atendidas . É necessário que medidas que garantam a punição adequada para policiais que utilizam de força excessiva, ou qualquer outro tipo de ato racista, sejam tomadas pela Corregedoria da Polícia Cívil. Além disso, também é notória a necessidade de um protocolo mais rígido em relação à conduta policial com a população afrodescentende, com o objetivo de extinguir a normalização de atos racistas nas instituições policiais.