Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 10/07/2020

As forças policiais sempre agiram em função de hierarquias sociais racistas e classistas, reproduzindo desigualdades terríveis em sua atuação. O racismo institucional é um problema gravíssimo da atualidade, e é perceptível ao analisar-se a persistência das mortes em função da bruta e desarrazoada abordagem policial contra o público negro no mundo. Um exemplo disso é o absurdo caso de George Floyd, descendente afro-americano assassinado em Minneapolis, dia 25 de maio de 2020, estrangulado por um policial branco que ajoelhou-se em seu pescoço durante uma abordagem pelo uso de uma suposta nota falsa de 20 dólares. Este e outros inúmeros casos são consequentes a má conduta dos policiais, que ainda assim se auto intitulam protetores de toda a sociedade. Se todas as vidas realmente importam, por que os negros são marginalizados diante da polícia, sendo que constituem a maior parte da população?

A população negra se concentra na periferia das cidades, por culpa do estorvo histórico em função da supremacia branca. Por conta disso, muitos crescem em condições e escolaridade precárias, quase nunca trabalhando em subempregos e ás vezes recorrem ao mundo do tráfico para se sustentar, criando-se uma visão fora da bolha de que todos os negros são marginais, mas esta não é a realidade de todos e, conforme disse o cantor e compositor Bob Marley, “Enquanto a cor da pele for mais importante do que o brilho dos olhos, haverá guerra”. Pretos e pardos compõem 78% dos mortos por intervenção policial no Rio de Janeiro em 2019, consoante ao Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ).

Sem citar o fato que, além das abordagens violentas, das mortes de inocentes causadas por verdadeiros massacres promovidos por policiais dentro das comunidades e da explícita preponderância branca, estima-se que a polícia mate cerca de 1.200 pessoas todos os anos nos EUA, mas em cerca de 99% dos casos, os policiais não são acusados de nenhum crime, de acordo com o jornal da BBC News.

Em sumário, um dos caminhos seria reestruturar a gestão do treinamento policial no mundo todo, pensando, talvez, em uma proposta semelhante a reformulação da polícia em Cadmen, uma das cidades mais violentas dos EUA que, segundo o site da BBC News, reduziu número de crimes violentos em 50%. O principal conceito imposto era construir um senso de comunidade, em que a polícia conversasse com as pessoas, as conhecesse, e construísse a cultura coletivamente, para que não houvesse mais privilégios raciais. Isso envolve algumas táticas simples, como o policial simplesmente tirar o quepe para parecer mais aberto e menos belicoso, usando uma abordagem mais sutil. Juntamente ao povo, as organizações internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OIT (Organização Mundial do Trabalho) deveriam investir no treinamento digno aos policiais, de forma que apoiem os movimentos antirracistas pelo mundo, uma vez que está explícito de que nem todos sabem lidar com o poder que tem nas mãos.