Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 12/07/2020
Na série “Grey’s Anatomy”, a personagem Miranda Bailey, após o seu filho, que é negro, ser abordado por policiais ao pensarem que ele estaria invadindo uma casa, que no situação era sua própria casa, o ensina como portar-se em uma abordagem policial para evitar que ele sofra qualquer tipo de violência. Infelizmente, essa realidade sai do mundo ficcional e se concretiza no mundo real, sendo parte do cotidiano de inúmeras pessoas negras no Brasil e no mundo.
Em primeiro lugar, a ação violenta por parte dos policiais direcionada à população negra reforça o racismo estrutural e as desigualdades impregnados na sociedade. A formação da maioria dos países teve como base a indústria escravista, em que milhares de pessoas, em sua grande maioria negros, foram arrancadas à força de seu local de origem para servirem de mão de obra. Apesar de proibido esse sistema, atualmente ainda resiste resquícios visualizados nas relações de poder e de raça, como por exemplo, os casos de George Floyd nos Estados Unidos, João Pedro e Evaldo no Brasil, ambos os três, negros e mortos por violência e abuso de autoridade na conduta policial.
Em segundo lugar, a polícia tem como função proteger as pessoas e o patrimônio, reprimir crimes e controlar a violência. Em contrapartida, vê-se a discrepância com atual conjuntura, visto que esse órgão tem sido um dos principais autores da violência, em que segundo estatísticas, no primeiro semestre de 2019, só no Rio de Janeiro, a polícia matou 1075 pessoas, 80% delas negras, sendo o dobro dos Estados Unidos, no mesmo período. Associado a isso, a falta de prioridades dos países em criar e efetivar políticas que diminuam e combatam essas atitudes contribuiu para o surgimento do movimento “Vidas Negras Importam”, manifestações em todo o mundo, nas ruas e perfis na internet, em busca de justiça e respeito às vidas negras, além de exigência dos seus direitos.
Faz-se necessário, portanto, medidas que atenuem e combatam a violência policial contra negros. Cabe ao Ministério da Justiça investigar de maneira mais rígida as acusações de má conduta policial e ainda, facilitar as denúncias por meio de aplicativos de denúncia 24 horas, com o objetivo de criar um modelo de segurança pública mais eficiente. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, a promoção de feiras com palestras sobre a cultura e movimentos negros, com ativistas e personalidades negras. A fim de que os alunos tenham conhecimento e reconheçam a importância desses movimentos para a busca de direitos e respeito às minorias. Assim, será construída uma sociedade mais tolerante cuja prioridade seja sempre a equidade e que a realidade violenta só exista na ficção.