Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 14/09/2020

A série americana “Olhos que condenam” retrata um caso de abuso policial para com pessoas negras, em que cinco jovens negros sofrem violência psicológica e física para confessarem um crime ao qual não cometeram. No entanto, no Brasil e no mundo, cenas como essa estão aumentando, visto que a cada dia a violência policial contra a população negra se agrava. Dessa forma, faz-se necessária uma mudança no pensamento de inferioridade dos negros — presente na sociedade — e na maior punição dos profissionais da segurança.

É válido retratar, em primeira análise, de que maneira o discurso histórico do racismo influencia nesse fenômeno até os dias atuais. Segundo o filósofo Michel Foucault, todo discurso possui o poder de influenciar os que o ouvem, de modo a enraizar preconceitos. Assim, o conceito de inferioridade criada sobre os negros decorre desde o século XVI, o que gerou a marginalização desse setor populacional, abriu espaço para o medo e, consequentemente, resultou em atitudes precipitadas por parte dos policiais ao abordarem uma pessoa negra.

Cabe considerar, em segunda análise, os impactos da normalização da violência contra indivíduos negros. Partindo desse preceito, a filósofa alemã Hannah Arendt descreve o fenômeno de banalização do mal, em que ocorre a normalização da crueldade devido, principalmente, à manipulação. Nesse contexto, conforme a violência é naturalizada na sociedade — em razão do racismo enraizado — verifica-se a impunidade dos crimes cometidos pelos policiais, uma vez que esses atos são aceitos pela população.

Mediante o exposto, pode-se concluir que práticas de violência policial contra a raça negra devem ser erradicadas, de forma a  garantir os direitos humanos. Logo, o Ministério da Justiça deve, aliado ao poder Judiciário, promover uma maior rigidez nas leis responsáveis pela punição dos agentes da segurança que afetarem a população negra — psicológica, física ou verbalmente —, por meio do aumento da pena desses. Além disso, é necessário que nas academias de treinamento desses profissionais hajam palestras que promovam a conscientização dessas pessoas para o tratamento igualitário e abandono de preconceitos. Espera-se que, a partir dessa medida, a violência desnecessária contra os negros, no Brasil e no mundo, deixe de ser uma característica da sociedade atual.