Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 10/07/2020
Em uma de suas músicas, a banda “O Rappa” exemplifica a perpetuação do racismo ao dizer que “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. Hoje, ainda, tal situação é comprovada diante do crescimento escancarado e danoso da violência policial com o povo preto de todo o mundo. Nessa conjectura, tal situação reforça a presença de racismo estrutural na sociedade e, também, reflete a despreocupação com vidas negras.
Convém destacar, a priori, que a violência policial é reflexo do racismo enraizado socialmente. Isso por conta da formação sociocultural de muitos países do mundo, como o Brasil e os Estados Unidos, em que a escravidão e a segregação negra foram presentes durante muitos séculos. Um bom exemplo é apresentado na obra “Novembro de 63” que retrata o racismo dos EUA dos anos 60, enquanto ainda existia separação de ambientes de convivência. Dessa forma, é perceptível que regiões em que o preconceito foi marcante, sofrem, hoje, com a violência policial.
Ademais, as abordagens violentas refletem a despreocupação com vidas negras. Isso porque tais situações perpetuaram sem iniciativas públicas de modificação, o que corroborou com a intensificação dos atos de repressão violenta com negros. Um exemplo foi a morte de George Floyd, em 2020, nos EUA por policiais brancos, mesmo após dizer, diversas vezes, que não conseguia respirar, o que levantou debate e estimulou protestos em todo o mundo. Dessa forma, fica claro que tais comportamentos não serão mais tolerados.
Diante dos fatos apresentados, é ideal uma ação entre escolas de nível fundamental e médio e professores de sociologia e história para realização de um projeto que desconstrua o racismo estrutural de discentes e familiares, por meio de conversas com especialistas, apresentações de teatro sobre o tema e inclusão de debates sobre racismo nas aulas, com o objetivo de completar a formação social juvenil e desestruturar a base racista da sociedade. Além disso, é necessária uma ação dos órgãos de polícia, principalmente civil, com profissionais da área e militantes negros para a organização de um curso voltado aos profissionais da segurança sobre como deve ocorrer o tratamento com as minorias, por meio da explicitação de como deve ser a abordagem, transmissão de conhecimento histórico e compreensão sobre a influência da violência policial na perpetuação do preconceito, com o objetivo de diminuir índices como o de George Floyd e os vestígios de preconceito na sociedade.