Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 11/07/2020
Em um episódio da série norte-americana Brooklyn Nine-Nine, o sargento Jeffords inicia uma campanha antirracista no Departamento de Polícia de Nova Iorque, após ser violentamente abordado por um oficial, apenas por ser um homem negro. Além da ficção, a violência policial contra a população afrodescendente é uma realidade contemporânea no Brasil e no mundo. Esta, é alicerçada no racismo estrutural, somado ao ineficaz modelo de formação dessa classe laboral.
A priori, deve-se analisar as consequências dos ideais escravistas do Imperialismo europeu, vigente entre os séculos XV e XIX. Em busca de mão de obra, as potências da Europa escravizaram e importaram povos africanos à América, e estes foram vistos como sub-humanos por mais de 300 anos. Sob este viés, Albert Einstein, ao dissertar sobre as políticas segregacionistas estadunidenses, apontou que atitudes racistas são efeitos de tais circunstâncias históricas. Nesse sentido, tem-se que o bárbaro tratamento recebido por pretos proveniente de órgãos, na teoria, responsáveis pela segurança pública, está diretamente relacionado à discriminação racial e à desumanização da camada subjugada.
Ademais, a profissionalização de policiais é exígua, no que tange às técnicas de reconhecimento e admissão de suspeitos. Sob a ótica do enraizado preconceito supracitado, o filósofo Silvio Almeida defende que a negação é essencial para a manutenção desta estrutura. Dessa forma, as entidades formadoras da parcela do proletariado em análise não tomam as medidas necessárias para que o tom de pele não seja critério primeiro ao tipo de processamento. Desta feita, casos como o de George Floyd, Guilherme Silva e João Pedro, vítimas do sistema genocida dissertado, se tornem apenas estatísticas refletoras de tal segregacionismo.
Em suma, providências devem ser tomadas a fim de reverter as problemáticas levantadas. Logo, o Ministério Público brasileiro, ou o órgão correspondente em cada país, necessita de reestruturar o processo de formação de oficiais da segurança, a partir da introdução de palestras contra o racismo e de técnicas de abordagem não violentas. Além disso, campanhas com esta temática direcionadas a policiais já formados é imprescindível. A finalidade dessas será de mitigar as impetuosas práticas de segregação policiais. Com efeito, espera-se que situações como a do sargento Jeffords sejam cada vez menos frequentes enquanto campanhas como a dele se tornem, com o tempo, desnecessárias.