Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 12/07/2020

“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, disse o cientista Albert Einstein ao refletir sobre a perpetuação de determinados tipos de preconceito exercidos pela sociedade. Tal situação é automaticamente relacionada ao racismo que, apesar de hodiernamente encontrar-se mais implícito, permanece estigmatizando a população afro-descendente no mundo todo. Assim, como reflexo de séculos de desigualdade a qual os negros foram fadados, tornou-se factual a hostilidade do ambiente habitado majoritariamente por essa população, em que a violência policial atua de forma expressiva e a ocorrência de casos semelhantes ao de George Floyd é diária.

Diante disso, pode-se relacionar a repressão policial contra os negros com o racismo estrutural presente em países como o Brasil e os Estados Unidos. Esse racismo, que entre seus epítetos também é conhecido como “racismo velado”, apesar de não se encontrar escancarado perante o enrijecimento das leis contra esse crime, permanece incólume na disparidade de oportunidades e nos comentários preconceituosos, constantemente considerados disparates ou “mi mi mi”, sendo este termo recentemente incorporado ao ambiente virtual para pejorativização dos movimentos ativistas. Ademais, diante dos índices que demonstram a considerável violência no cenário periférico das cidades, tornou-se justificável a brutalidade policial e o abuso de autoritarismo, desconsiderando-se o fato que há duas gerações vivia-se um sistema escravocrata, cuja abolição resultou na ausência de espaço e perspectivas para esses indivíduos. Consequentemente, o ambiente urbano foi estruturado de forma desigual e o recrudescimento das cidades ilegais foi imprescindível.

Outrossim, o assassinato do americano George Floyd foi o estopim do movimento “Black Lives Matter”, o qual adquiriu repercussão em âmbito mundial para a obtenção de visibilidade diante da opressão vivenciada pela população negra. Não obstante, essa violência é estimulada pela ausência de consenso político e social, tal como torna tendenciosa a execução da justiça. Da mesma forma, esse panorama é corroborado com o ato de vedar os olhos perante a situação, como é retratado no trecho da música “Classe Média” de Max Gonzaga: “Eu quero que se exploda a periferia toda, mas fico indignado com o Estado quando sou incomodado pelo pedinte esfomeado que me estende a mão”.

Portanto, a necessidade de reformas é fulcral. Dessa forma, deve-se elaborar uma ação concomitante entre o Plano Diretor, visando a remodelação do espaço urbano em prol da população marginalizada, e o Poder Judiciário, ao coibir o autoritarismo policial, cujas atividades devem ser constantemente monitoradas e os óbitos devidamente investigados, não apenas contabilizados. Destarte, a justiça será estabelecida e buscar-se-á a redução dos estigmas históricos vivenciados.