Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 13/07/2020

Mesmo com uma população menor, dentro apenas de um estado, por exemplo, a polícia brasileira possui um número maior de assassinatos do que a polícia estadunidense tem no país inteiro. Brasil e Estados Unidos compartilham números desproporcionais de assassinatos de negros pela polícia, porém o risco que brasileiros negros correm é bem maior.

É possível notar que a desigualdade racial tornou-se algo desumano, para isso, basta perceber o quão comum é a morte de uma pessoa negra, principalmente no cotidiano do brasileiro. A imagem proporcionada dos negros é a de bandido, em todos os casos, como se isso fosse o bastante para justificar a violência policial. Até mesmo em casos como o de João Pedro, uma simples criança negra que foi baleada na barriga dentro de sua própria casa, é correlacionado a existência de um bandido em fuga como justificativa da morte da criança. A pior parte de casos como este, é o fato das autoridades apenas “lamentarem” e a polícia sair impune de seus atos.

Nos Estados Unidos, a mesma imagem é pintada, como uma forma de inferiorizar o negro. No caso deles, houve o surgimento de um imenso sistema de leis codificadas, feito por Jim Crow, que surgiu após o colapso da escravidão. Leis que determinavam até qual banheiro eles poderiam utilizar. Porém, não é necessário um sistema como este para manter hierarquias raciais e de cores. No Brasil, por exemplo, é difícil nomear um responsável por manter tais hierarquias. Quando o problema possui um nome, acaba por se tornar mais fácil a luta contra ele.

Comparando o caso de João Pedro com o caso de George Floyd, morto ao ser estrangulado por um policial nos Estados Unidos, não se trata de casos isolados. É a lógica de uma polícia que foi treinada para agir dessa maneira, que segue um protocolo que justifica suas ações e que se arvora no direito de dizer quem vive e quem morre. E eles escolhem que os negros morrem. É um sistema injusto, que dá vantagens e direitos aos brancos, mas aos negros não lhes garante nem a vida, visto que é necessário uma onda de protestos para que consigam algo que já deveriam ter por ser um direito humano.

Diante disso, a população, seguindo os movimentos negros, por serem os que possuem lugar de fala nesta situação, deveria, por meio de manifestações, mostrar seu apoio na aprovação do inquérito da ONU sobre a violência policial. Também é preciso que o governo, além de aprovar o inquérito, puna os policiais que transgredirem a lei, isto é, os afaste de seu trabalho e, em casos mais graves, tenham-nos presos. Assim, garantindo a segurança e os direitos da população negra que, apenas por serem minoria, não deixam de ser humanos.