Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 13/07/2020
O documentário ‘Auto de resistência’ retrata a violência nas ações policiais e começa com a cena da “Chacina de Costa Barros”, ocorrida em novembro de 2015 em um bairro periférico do Rio de Janeiro, na qual jovens de 16 a 25 anos foram alvejados dentro de um carro com 111 tiros por policiais. Não obstante, o documentário retrata atos que estão sendo cada vez mais frequentes no Brasil e ocorrem em sua maioria com pessoas negras. Visto que tal ação é extremamente condenável e preconceituosa, evidencia-se a necessidade de uma discussão sobre o assunto.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o preconceito está presente no Brasil desde a chegada de cerca de 5 milhões de africanos, traficados pelos portugueses a partir do século 16 e, passados 130 anos da abolição, a população negra continua ocupando a base da pirâmide social brasileira, sofrendo diversas consequências com isso. Apesar da polícia ser um órgão que deve respeitar as leis, os Direitos Humanos e ser responsável pela segurança pública do país, a brutalidade do uso excessivo da força policial contra negros é corriqueira e está sendo cada vez mais frequente. Segundo um levantamento do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), das 1.814 pessoas mortas em ações da polícia no último ano, 1.423 foram pretas ou pardas.
Por conseguinte, tal brutalidade também é muito frequente nos Estados Unidos, visto por exemplo o ocorrido em 25 de maio de 2020 com George Floyd, morte de um homem negro desarmado, depois de ser imobilizado no chão com um policial ajoelhado em seu pescoço. Tal ato reacendeu o debate sobre a brutalidade da polícia contra as minorias raciais nos EUA, trazendo também o movimento #BlackLivesMatter (Vidas negras Importam), surgido em 2013. Com isso, já dizia Mohammed Haziz: “O homem conseguiu ir para a Lua, mas não conseguiu combater o racismo…”
Diante disso, cabe ao Ministério Público realizar, urgentemente, o controle externo da atividade policial por meio de fiscalizações e, juntamente do Poder Executivo, criar uma lei efetiva para proibir o abuso dos policiais. Ademais, por meio de instituições, é necessário a criação de programas de combate ao racismo para que, desse modo, seja possível o combate ao racismo e, consequentemente, menor abuso dos policiais em suas abordagens.