Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 16/07/2020
George Floyd (1973-2020), Breonna Taylor (1993-2020), João Pedro (2005- 2020) e Ágatha Félix (2011- 2019) são algumas das pessoas dentro de milhares que são vítimas da violência policial e tiveram suas vidas interrompidas. São gêneros, idades e países diferentes. Entretanto, há uma coisa em comum, a cor da pele.
Nos EUA, as pessoas negras são 13% da população, mas 25% das vítimas assassinadas pela polícia. No Brasil, o cenário não é diferente, já que as pessoas negras são mais da metade da população, mas 75% das vítimas, de acordo com Yanilda Maria Gonzáles, professora da Escola de Serviço Social da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. São milhares de vidas perdidas dentro dessas porcentagens, e ao analisa-las conclui-se que há uma contradição explícita já que, em casos como os que fazem parte desses dados, o indivíduo que deveria repudiar e deter atos de injúria racial é quem pratica.
Em uma entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno Manual Antirracista, filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira Djamila Ribeiro diz: “É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar aqui no Brasil esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil”. O que deixa cada vez mais evidente a extrema violência da qual tantos jovens negros são vítimas, reforçando o racismo institucional.
Visto que a formação, graduação, pós-graduação, aperfeiçoamento, habilitação e treinamento dos policiais militares são realizados por intermédio dos Órgãos de Apoio de Ensino Superior da Diretoria de Ensino da Polícia Militar, urge que tal órgão em parceria com o Ministério da Segurança Pública adeque o modelo militar ao civil, fazendo com que os treinamentos sejam mais humanizados, envolvendo cada vez mais a parte psicológica e a desmilitarização. Além de ter como um dos focos a abordagem de questões sobre racismo institucional, ressaltando outras maneiras de atuação. Também é de suma importância que os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em concordância com o Ministério da Segurança Pública, façam jus a Constituição Federal punindo devidamente os autores desses casos de extrema violência que já mataram tantas pessoas, para que vidas negras como a de George Floyd, Breonna Taylor, João Pedro e Ágatha Félix não virem estatísticas.