Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 15/07/2020
O preconceito racial e os seus efeitos permanecem fortes atualmente, como pode ser observado através do racismo presente nos sujeitos considerados criminosos, nas vítimas dos crimes, nas condutas consideradas delituosas e no âmago do controle social. O assassinado, o preso provisório, o condenado por tráfico, quem é parado pela polícia e as famílias que têm suas casas invadidas possuem a mesma cor da raça que foi escravizada e que continua sendo oprimida. A violência policial contra negros no Brasil e no mundo é crescente e inadmissível, desta forma torna-se imprescindível políticas que resolvam este problema decorrente na sociedade.
No livro “A Revolução Burguesa no Brasil”, o sociólogo Florestan Fernandes descreve a violência do regime militar como representação de poder e opressão sobre os indivíduos. Nos dias atuais, trinta anos após o processo de redemocratização, a sociedade ainda se questiona sobre a atual conjuntura da polícia, uma vez que essa tem atuado de maneira intransigente em diversas situações. Em primeiro plano, o abuso de autoridade, que é empregado por vários policiais, tem o intuito de repreender de forma truculenta e, muitas vezes, sem a averiguação de delitos. Entre janeiro e julho de 2019, só a polícia do Rio de Janeiro matou 1.075 pessoas, 80% negras. Dois casos que geraram comoção nacional foram a morte do menino Eduardo de Jesus, baleado na porta de casa enquanto ocorria uma operação no morro do Complexo do Alemão e o assassinato de João Pedro após ter sua casa alvejada por 72 tiros de fuzil. Nesse sentido, aqueles que contrariam seus objetivos são tratados como possíveis inimigos a serem combatidos, mesmo que isso resulte na vida de inocentes.
No caso da violência policial, morrem mais crianças e adolescentes, visto que o racismo autoriza a atirar indiscriminadamente e, mesmo quando há abordagem policial fora desses espaços ocorrendo a mortes de negros, fica evidente que também existe a autorização do Estado. Essas ações são legitimadas pelos estereótipos raciais que compõem a sociedade brasileira, proporcionando o ato violento contra a população negra e atuando como marca de pertencimento à suspeição. Pode-se observar o caso da modelo Bárbara Querino que apresentou inúmeras evidências de que não estava no local do crime, porém foi presa injustamente por dois anos.
Isto posto, é perceptível a necessidade de mudar a postura da polícia nesse contexto. Assim, é viável reformular o modo em que esses agentes são treinados para o cumprimento de ordens, a fim de evitar reflexos da opressão do golpe militar de 1964, além de acompanhamento psicológico desses profissionais e a denúncia de brutalidades, inibindo o abuso de poder e as manifestações de violência incorporadas em seus ideias, propiciando uma maior confiança na segurança pública brasileira.